Napoleão tentou aplicar uma indelével miguelada contra ele mesmo hoje à tarde.

Chamou a imprensa pra falar das negociações com a Odebrechet.

Mostrou que não deu moleza, apresentou documentos mostrando que abaixou a renegociação do contrato de 118 milhões pra 67 milhões e que não gastou nada, trocando a dívida por mais tempo no contrato, etc, etc.

Até aí tudo bem.

O próprio delator diz que só conheceu Napoleão depois da eleição, foi recebido em pé por ele, muito rapidamente, disse que Napoleão não quis negociar o contrato pagando em dinheiro, que não negociou vantagens, etc, etc.

O ocorre que Napoleão não iria responder perguntas hoje à tarde.

Ou seja: o homem se explicou sobre algo de que não é acusado e não queria falar das coisas sobre as quais é acusado.

Mas a briosa galerinha da imprensa chiou e Napoleão voltou atrás.

Foram feitas todas as perguntas possíveis pelos reclamadores que ficaram esperando.

Pancho, Alexandrão Gonçalves e Jean Laurindo perguntaram do Dalírio, do caixa 2, perguntaram se ele sabia das finanças do partido, etc,etc.

Napoleão novamente disse aquilo que já tinha dito: que dividia responsabilidades, que nunca viu caixa 2, que o Dalírio é um homem íntegro, etc.

Eu não fiz pergunta nenhuma porque não ia adiantar e porque pra mim é muito mais cômodo ficar sentado olhando os outros trabalhar.

Na semana passada Napoleão havia adotado a estratégia de ele mesmo procurar jornalistas para passar sua versão, numa atitude ousada, bancando a própria defesa enfaticamente.

Assim que saiu a lista eu liguei pra ele, ele não atendeu, mas meia hora depois ligou pra mim, disse que estava ocupado dando entrevistas e então falou comigo.

Não havia, portanto, motivo para não falar hoje.

Mas algum iluminado do marketing deu a ele um paralelepípedo pra ele jogar em cima do próprio pé.

Quase que consegue.