Ninguém está conseguindo antecipar os nomes do novo secretariado do Napoleão, o Bonzinho.

Nem o Clovão dos Reis, nem o Alexandrão Gonçalves e muito menos eu.

A gente vamos dando uns chutes, uns pitacos, mas esbarramos no silêncio sepulcrar em torno de tudo.

Todos ao derredor do Napoleão tremem de medo em falar.

Isso em parte decorre do medo que a turma sentem do Napoleão, curiosamente conhecido como o Bonzinho.

Sim, Napoleão é, ao mesmo tempo, amado e temido.

Como eu já disse, é isso mesmo: a galera tem medo do homem.

A cara de bonzinho é um excelente disfarce, mas o sujeito consegue ser temido ao melhor estilo dos discípulos do Nicolau.

Analisemos o principal componente na montagem do novo governo: a demora.

A demora faz parte da estratégia dos discípulos do Nicolau, entre os quais Napoleão, o Bonzinho, se destaca.

Napoleão podia ter resolvido tudo há dois meses e depois saído de férias.

Mas ele não fez nada.

Foi passear, caminhou na praia e tomou caipirinha enquanto seus súditos se degladiavam, desgastando-se uns aos outros sob o sol escaldante.

Assim, Vitor não culpará Napoleão pelo fato de não ser nomeado, mas culpará a Sérgio, a quem acusará de tê-lo sacaneado para conseguir a nomeação de Flávio.

A demora, a indecisão, nada disso é à toa.

Para os discípulos do Nicolau, tudo tem uma razão de ser, mesmo que, por subjetivas, não a compreendamos.

Napoleão, meu ídolo máximo entre os príncipes do Reino de Blumenau.