Marisa Letícia foi uma figura curiosa.

Casou com um metalúrgico que virou presidente.

Ela nunca foi importante pra nada no contexto político.

Petistas tentam diminuir sua desimportância dizendo que ela costurou a primeira bandeira do PT em sua garagem.

E só.

Marisa não foi guerreira da plebe brasileira.

Não fez discurso, não discutiu com intelectuais, não escreveu artigos, não assumiu cargo nenhum.

Não deu entrevista pra Cláudia, não foi no Roda Viva, em nenhum programa de TV.

Nem Ratinho, nem Gugu.

Viu coisas importantes da história recente do Brasil, sempre estando no meio, mas nunca participando de nada, nunca influindo.

Não se conhece uma análise dela sobre nada, uma opinião sequer sobre qualquer assunto.

Marisa foi como alguém pego no meio de um tiroteio.

A pessoa corre pra cá, corre pra lá, mas não tem a mínima ideia do que está acontecendo.

Marisa com certeza foi feliz sendo ela mesma, sem inventar.

Uma pessoa simplona, um tanto indiferente ao tumulto que ocorria ao seu redor.

Da morte de Marisa Letícia só ficam duas coisas: de um lado o pessoal que xinga ela, de outro o pessoal que condena os xingamentos.

Em defesa dela própria, ninguém.