Encontrei o senador Dalirião hoje.

Dalírio lembrou que lá por 1972 fazia a conferência da movimentação econômica dos municípios do Vale.

Analisava fichas preenchidas à mão.

Ele achou curioso que entre as fichas relativas a Rio do Oeste constava o item “Borboletas” entre as principais receitas.

Expliquei pro Dalirião que na época Rio do Oeste era um grande fabricante de quadros, cinzeiros e bandejas feitos com asas de borboletas.

O pessoal fazia desenhos com asas de borboletas e colocava um vidro por cima.

Na minha infância muitos anos eu paguei meu material com a venda de asas de borboletas.

A gente passava as férias caçando borboletas com uma espécie de coador de café gigante que a gente chamava de borboleteiros.

Nossas mães plantavam flores específicas que atraiam borboletas.

Quase todo mundo tinha um borboleteiro enconstado na chaminé.
Quando aparecia uma borboleta bonita até minha mãe ou meu pai corriam para pegá-las.

Era divertido.

E uma forma de passar o tempo.

Depois a gente vendia as borboletas pra quem pagasse mais, segundo uma tabela de valores.

As mais brilhantes e vistosas valiam mais.

Lembro que uma vez teve um escândalo envolvendo borboletas.

A polícia prendeu em Taió uma turma que tava traficando maconha em fundos falsos de quadros de borboletas.

Entre os rioestenses, Taió tinha a fama de ser o maior produtor de maconha do estado.