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- Só agora tirei um tempo pra ver Entreatos, aquele filme da campanha do Lula de 2002.
- O filme é interessante pra quem quer conhecer o corre-corre e os bastidores de uma campanha, do ponto de vista das coisas publicáveis.
- Nesse sentido é muito bacana.
- Muitos têm destacado o Zé Dirceu no filme, com aquele jeito arrogantão dele, querendo se passar pelo Golbery do Lula.
- O filme mostra que o Lulão não precisa de Golbery nenhum. Ele é o próprio Golbery dele mesmo.
- Separei uma cena em que ele entra na barbearia e faz a barba sem parar de dar uma entrevista, ao telefone, para a Rádio Guaiba.
- E o barbeiro não quer nem saber: mete a navalha com estilo mesmo com o cliente falando no telefone.
- Coisa de peão bom de ofício. Tanto um, quanto o outro.
CONSIDERAÇÕES ACERCA DO TEMA EM QUESTÃO
- Peão que é peão não afrouxa nunca. Lulão não interrompe a entrevista pra fazer a barba. E o barbeiro mete ficha, tacando a navalha do mesmo jeito. Destaque pros malabarismos do Lula pra passar o telefone e o óculos de uma mão pra outra enquanto o barbeiro coloca o avental nele.
- Lulão fala em incentivar o consumo de bens com preço popular. Taí uma coisa que ele fez de verdade.
- Lula demonstra impaciência com uma longa e possivelmente redundante pergunta do interlocutor. Compreensível. A entrevista era para a Rádio Guaíba. O entrevistador devia ser gaúcho. Capiche? E o Lulão impacientado: “Da forma mais democrática possível, amigo”.
- Lula é um cara que lê. Eu já vi ele lendo a Folha de S. Paulo. Ele lê, entende as coisas e xinga. Mas de birra, diz que não lê. Num trecho do vídeo ele diz pro barbeiro: “Comprou a Época?”. E depois fala do que a revista traz. É um pândego, esse Lula.
- Encerro o trecho que selecionei com uma piadinha do Lulão, se olhando no espelho: “Se a minha mãe me visse assim ela ia dizer ‘êita, baianinho jeitoso’”.
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Imprensa brasileira é uma graça.
- Primeiro cria seus próprios mitos.
- Depois, quando um falso mito faz merda, os jornalistas ficam sem saber se casam ou se compram uma bicicleta.
- É o caso do Zé Dirceu.
- Foi capa da Exame, Veja, etc. IstoÉ chegou a elegê-lo Brasileiro do Ano junto com o José Serra e o Gushiken.
- Nos primeiros anos da Era Lula, foi apontado como o bonzão, o estrategista, o cara que mandava no Lula, o incrível comedor da mulherada, o guerrilheiro porradão, macho pacas e fodão.
- Lula deve ter ficado muito puto.
- Aí veio o Mensalão.
- Zé Dirceu se fodeu.
- A mesna mídia que o incensava, descobriu que ele nunca foi o grande guerrilheiro. Na verdade, tinha cortado meia dúzia de canas em Cuba e ficou com calos nas mãos.
- Voltou para o Brasil e se escondeu numa cidadezinha do Paraná, lá na puta-que-os-pariu.
- Lula deve ter ficado feliz com a queda do ídolo de pés de barro.
- Longe de Dirceu, seu governo prosperou.
- Lula se viu livre da sombra do bonzão garanhão.
- Lula se tornou um ícone mundial. Virou “O cara”.
- Agora, Zé Dirceu volta à cena. Como sempre, quer passar a impressão de que é o gênio que está por trás de tudo.
- Sua última declaração bombástica repercutida pela imprensa foi durante uma palestra a petroleiros na Bahia.
- Ora, meu amigo, você acha que no auge da campanha presidencial, com o caldeirão fervendo, uma das estrelas do PT estaria na Bahia dando palestras se fosse realmente decisivo ao processo?
- O velho Dirceu de sempre agora simula agir dissimuladamente, dá a entender que está dando as cartas nos bastidores.
- Besteira.
- Se há uma coisa em que o PT se destaca, é o trabalho de equipe.
- Pode até ter um ou outro que emerja a cabeça pra fora da água, para funcionar como referência, mas a coisa toda funciona como uma máquina bem azeitada, planejada, organizada, com tarefas, metas e objetivos.
- Esqueça o Zé Dirceu.
- Ele é tão importante quanto qualquer outro cacique do partido.
- Lula, Dilma e o PT não precisaram dele até aqui.
- Não vai ser daqui pra diante que irão depender se sua brilhante, insubstituível e fantasticamente genial inteligência.
- Zé Dirceu é um mito inventado pela imprensa paulista, que por ele continua apaixonada.


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