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- Li A Privataria Tucana em duas manhãs e um final de tarde.
- Na praia.
- Não é exatamente leitura para momento relaxante, mas é convidativo e esclarecedor.
- A Privataria Tucana cumpre a função de enterrar o Serra, revelando com detalhes as negociatas que circulam em torno da filha dele, dele mesmo, do genro, um primo e outros sócios, assessores ou amigos.
- Que houve roubalheira nas privatizações ninguém duvida. O PT, como mostrou o Mensalão, faria o mesmo.
- Descontados os milhões de dólares roubados em forma de propina, a privatização foi uma benção para o Brasil.
- Esses milhõezinhos em propina compensam – e muito – todos os bilhões e trilhões que estaríamos ainda pagando com uso político das estatais, roubalheiras e desvios, como vimos na CPI dos Correios, do nosso brioso e honestíssimo PT e seus ilibados aliados.
- Privataria Tucana não traz grandes novidades.
- O que faz, na verdade, é mostrar documentos que comprovam pequenas denúncias superficialmente divulgadas pela imprensa.
- Veículos como Veja, Istoé, Folha, Estadão, Época e O Globo deram muitas notas insinuando sacanagens nas privatizações.
- O que se comprova, no livro, é que essas notas eram plantadas de acordo com o interesse dos diversos grupos que se digladiavam em torno do butim das privatizações.
- A constatação que fica é: se o autor do livro teve acesso a todos esses documentos, todos públicos, a imprensa também teria.
- Poderia ter produzido grandes reportagens.
- Mas não o fez.
- Jornais e revistas trocaram reportagens aprofundadas e documentadas pelo serviço de garoto de recados entre os diversos grupos envolvidos nas tramóias.
- Fica claro que os grandes veículos de comunicação participaram alegremente de toda a sacanagem, jogando com a boa fé dos leitores em torno de seus próprios interesses e de interesses mais do que escusos dos grupos formados em torno das privatizações.
- A maior vítima de Privataria Tucana não é o Serra, o FHC ou o PSDB.
- Nem os mafiosos da estirpe do Daniel Dantas, Ricardo Sérgio ou Serjão Motta.
- Essa turma toda a gente já conhece. Já sabemos que esperar dos políticos no Brasil.
- Olhando-se um pouco mais atentamente, vê-se que a maior vitima do livro é a credibilidade, cada vez menos acreditável, da nossa chamada grande imprensa.
- A sorte é que precisamos cada vez menos dessa turma.
- Coitado do Fernando Henrique Cardoso. Lula acaba de colocar o último prego no caixão do ego dele.
- FHC sempre se gabou de ser poliglota, espalhando aos quatro ventos que era doutor nisso, mestre naquilo, etc etc.
- FHC fez um espalhafato quando recebeu o título de Honoris Causa da Universidade de Coimbra.
- Na época só faltou dizerem que a Universidade de Coimbra era um luminar da inteligência humana, onde só pontificavam os mais destacados gênios da nossa espécie, tendo como líder máximo o genialíssimo FHC.
- Mas eis que ele, Luís Inácio Lula da Silva, o nosso Lulão, também vai receber o título de Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Coimbra.
- Com isso, Lulão impõe duas duras derrotas ao já combalido ego do FHC:
- Lulão mostra que ultrapassa ou, no mínimo, se iguala ao Fernandão em absolutamente tudo.
- Lulão mostra que o decantado título de Honoris Causa da Universidade de Coimbra pode ser dado até mesmo a um torneiro mecânico semi analfabeto, corintiano e cachaceiro.
- Se eu fosse o FHC, devolvia o tal título.
- Ter o Lula com colega Doutor de universidade é sacanagem demais.
- Não é só nos Estados Unidos que existem figuras mitológicas como Abominável Homem das neves, conhecido como Pé Grande ou Elo Perdido.
- Ele é uma daquelas coisas que alguém já disse que viu em algum lugar, mas ninguém lembra exatamente quando e também não há provas reais de sua existência.
- O Brasil também tem o seu Pé Grande, o seu Chupa Cabras, o seu Elo Perdido.
- É uma figura que o PT insiste em dizer que existe e que o PSDB acha que talvez ele possa ter existido, mas não tem certeza.
- Nos debates da TV, Dilma afirma categoricamente que o nosso Abominável Homem das Neves existiu, mas o Serra nega, não lembra, nunca diz o nome dele.
- Eu consegui uma foto. Aqui está ele, o nosso Pé Grande, o nosso Elo Perdido.
- Posso garantir que ele realmente existiu.

Cada vez mais o FHC se parece com o Amigo da Onça, aquele clássico personagem do cartunista Péricles que sempre colocava os outros no fogo na hora de se ssafar de alguma coisa.- FHC deu entrevista pro Financial Times reconhecendo a vitória da Dilma.
- Ainda por cima, elogiou o Lula e criticou a oposição.
- Era tudo o que Serra e o PSDB precisavam para seguir adiante ainda mais animados.
- Obrigado, Fernandão.
- A gente não sabe o que seria do Serra e do PSDB a sem a sua sempre inestimável e impresdível colaboração.
Folha.com 25/09/2010 – 16h21
FHC admite eleição de
Dilma e diz que isso
fará país se desenvolver
mais lentamente
DE SÃO PAULO
Em entrevista ao jornal britânico “Financial Times”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu a possibilidade de Dilma Rousseff (PT) ser eleita presidente.
O repórter Jonathan Wheatley relata em seu texto que sugeriu, em entrevista há cerca de duas semanas e meia, que já se sabia quem seria eleito. FHC apenas respondeu “sim”.
“Isso vai nos impedir de desenvolver mais rapidamente. Mas isso não vai levar o Brasil para trás. A sociedade é muito forte para isso”, completou o ex-presidente, ao ser questionado o que isso significaria.
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FHC também criticou a forma como o PSDB fez oposição ao governo. “A oposição entendeu errado. Nós permitimos a mitificação de Lula. Mas Lula não é um revolucionário. Ele veio da classe trabalhadora e se comporta como se fizesse parte da velha elite conservadora.”
Para o ex-presidente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parou as reformas necessárias. “De certa forma, Lula tem anestesiado o Brasil. Nós esquecemos que o Brasil precisa continuar avançando. O que eu consegui fazer levou o país para frente. Mas então isso parou. Apenas parou.”
Segundo FHC, Lula será lembrado como um Lech Walesa que deu certo. Sindicalista, Walesa foi presidente da Polônia de 1990 a 1995.
“Acho que ele será lembrado pelo crescimento e pela continuidade, e por colocar mais ênfase nos gastos sociais.”


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