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- Minhas gentes, pude assistir ao curta Dicionário na Furb em uma sessão privê, só pra mim, ao lado do diretor.
- Não, não foi uma deferência da Universidade para com minha irreconhecida capacidade intelectual.
- Acontece que fui o único espectador presente na sessão marcada para as 18 horas de segunda-feira, 14/05/2012.
- Fiquei com o auditório só pra mim. Só eu, o diretor Ricardo Weschenfelder e a moça que fez a projeção.
- Dicionário é uma gracinha.
- Foi inspirado no conto O Guarda Norturno, do Lindolfo Bell.
- Bell era foda pra caralho.
- O curta é muito bem feito, muito bem editado, com algumas referências bastante interessantes em relação ao texto original.
- A cena do protagonista empurrando sua velha bicicleta, espremido pelos carros, expressa a exata sensação do que é ser um trabalhador desqualificado da área rural lutando contra a cidade nos dias de hoje. Adorei a sacada.
- O conto é excelente.
- Ao lê-lo, senti como se estivesse diante de uma das melhores garrafas de um legítimo Cortázar, com todas aquelas frases surpreendentes, as sacadas surrealistas, as observações inventivas que surgem em floats muito criativos.
- O curta cumpre decentemente, com muita honradez e valentia, a árdua, difícil e complicada tarefa de transpô-lo para as telas.
- Ficou muito bacana.
Você pode ler o conto do Bell na íntegra abaixo. Vale a pena investir uns minutinhos neste saboroso texto ao melhor estilo cortazariano.
- Só agora tirei um tempo pra ver Entreatos, aquele filme da campanha do Lula de 2002.
- O filme é interessante pra quem quer conhecer o corre-corre e os bastidores de uma campanha, do ponto de vista das coisas publicáveis.
- Nesse sentido é muito bacana.
- Muitos têm destacado o Zé Dirceu no filme, com aquele jeito arrogantão dele, querendo se passar pelo Golbery do Lula.
- O filme mostra que o Lulão não precisa de Golbery nenhum. Ele é o próprio Golbery dele mesmo.
- Separei uma cena em que ele entra na barbearia e faz a barba sem parar de dar uma entrevista, ao telefone, para a Rádio Guaiba.
- E o barbeiro não quer nem saber: mete a navalha com estilo mesmo com o cliente falando no telefone.
- Coisa de peão bom de ofício. Tanto um, quanto o outro.
CONSIDERAÇÕES ACERCA DO TEMA EM QUESTÃO
- Peão que é peão não afrouxa nunca. Lulão não interrompe a entrevista pra fazer a barba. E o barbeiro mete ficha, tacando a navalha do mesmo jeito. Destaque pros malabarismos do Lula pra passar o telefone e o óculos de uma mão pra outra enquanto o barbeiro coloca o avental nele.
- Lulão fala em incentivar o consumo de bens com preço popular. Taí uma coisa que ele fez de verdade.
- Lula demonstra impaciência com uma longa e possivelmente redundante pergunta do interlocutor. Compreensível. A entrevista era para a Rádio Guaíba. O entrevistador devia ser gaúcho. Capiche? E o Lulão impacientado: “Da forma mais democrática possível, amigo”.
- Lula é um cara que lê. Eu já vi ele lendo a Folha de S. Paulo. Ele lê, entende as coisas e xinga. Mas de birra, diz que não lê. Num trecho do vídeo ele diz pro barbeiro: “Comprou a Época?”. E depois fala do que a revista traz. É um pândego, esse Lula.
- Encerro o trecho que selecionei com uma piadinha do Lulão, se olhando no espelho: “Se a minha mãe me visse assim ela ia dizer ‘êita, baianinho jeitoso’”.



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