• Eu gostava muito do Marcos Theis.
  • Marcos Theis é o pai do Ivo Marcos Theis, o colunista do Jornal de Santa Catarina que também é economista e professor da Furb.
  • Gostava do Marcos pelo jeito de ser dele, um homem que emanava honestidade, um sujeito simpático, cordato e solidário, e que mostrava como viver bem na simplicidade de um trabalhador.
  • Gostava do Marcos também porque ele lembrava o meu pai, José Tonet, também já falecido.
  • Os dois, o alemão de Blumenau e o italiano de Rio do Oeste, eram muito parecidos.
  • Foram dois trabalhadores que compartilharam da mesma ética, que tinham o mesmo jeito de ver o mundo, de olhar os netos, de cuidar das coisas, de tratar com as pessoas.
  • Em sua coluna de hoje no Santa o Ivo escreveu um artigo sobre o Dia dos Pais.
  • Escreveu sobre o pai dele.
  • Mas é como se fosse sobre o meu.
  • E talvez seja sobre o seu.

Dia dos Pais

Ivo Theis

Vá! Ainda há tempo. Compre um belo presente para o seu pai. E festeje com ele no domingo. Afinal, o seu “velho” deve lhe dar muitos motivos para que a data não passe em brancas nuvens.

Se meu pai ainda estivesse vivo, lembraria de dar alguma coisa para ele. Mas é preciso confessar que sempre tive dificuldades para decidir o que comprar. Nos últimos tempos, em que estive muito próximo dele, dadas as suas condições de saúde, já nem fazia sentido presenteá-lo, seja com uma gravata, um par de meias ou uma carteira.

Mas olha que, sem o saber, ele meu deu, ao longo de sua vida simples, milhares de razões para não deixar a data passar em brancas nuvens. Lembro que meu pai se tornou um “cara especial” para mim quando tomei consciência de seu senso de honestidade – o que, agora, já faz bastante tempo. Além disso, ele era muito justo, com todos e tudo. Nem vou lembrar que também era trabalhador, solidário com os mais necessitados, disponível para as tarefas menos nobres (por exemplo, as domésticas), alegre, simpático… E assava um churrasco como poucos.

Nos últimos tempos, em que dele estive mais próximo, vinha pedindo perdão (baixinho, às vezes, em silêncio) a ele. Achava que, apesar de ter se tornado exemplo inigualável para mim, talvez eu não tivesse sido “o” filho de que ele pudesse se orgulhar. Nos últimos tempos, vinha tentando dizer a ele (e ele, provavelmente, não mais me entendia) que o amava. Achava que ele, talvez, não soubera disso. Evidentemente, por falha minha.

Vá. Ainda tem hoje e amanhã. Compre um belo presente para o seu “velho”. Com certeza, ele lhe deu tantas razões para homenageá-lo no domingo quanto o meu deu a mim. Ou melhor: não compre presente algum. Nem gravata, nem meias, nem carteira, nem mesmo flores. Diga a ele, simplesmente, que, por convenção, você quer lhe dar um abraço no Dia dos Pais. Mas, que, pelos tantos motivos que ele lhe deu ao longo de sua vida, o abraço é merecido no domingo e em todos os dias de todos os anos que puderem compartilhar.

Ou, ainda, mais simplesmente, apenas o abrace. Não há necessidade de presentes. Nem mesmo de palavras. Basta o gesto.

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