• Eleição para prefeito de Blumenau, 1988.
  • Eu ajudava na campanha do candidato José Garcia, do PT. Era redator de programa de TV, redigia jornais e panfletos, fazia o plano de governo e ajudava no mimeógrafo.
  • Tínhamos um programa de TV tosco, ruim de doer.
  • A gente defendia o socialismo, elogiava os Conselhos Populares de Cuba e atacava o Pinochet, mas esquecia das coisas básicas, como propor soluções para os buracos de rua e cuidar dos postos de saúde.
  • E estávamos revoltados com as pesquisas. Elas colocavam o Vilson Kleinübing em primeiro lugar, o Vilson Souza em segundo e o Renato Vianna em terceiro.
  • Nós aparecíamos na bostogésima oitava posição, atrás até da impagável dupla Pedro Cascaes e Dr. Leitão, cujo magnífico bordão era “Né, Dr. Leitão?”.
  • Um dia dei uma ideia ao Zé Garcia: propus que montássemos uma pesquisa com os nomes dos candidatos. Funcionaria assim:
    1) Arregimentaríamos alguns militantes com carro, que se dirigiriam a determinados bairros numa manhã de domingo.
    2) Cada carro levaria quatro pessoas.
    3) Cada pessoa faria 15 entrevistas.
    5) Ao final, se tivéssemos cinco carros, em cinco bairros diferentes, cada carro ouvindo 40 pessoas, teríamos uma amostra de 300 pessoas.

    6) Pra não perder a viagem, após a entrevista o pesquisador se identificaria como simpatizante do PT, distribuiria um santinho e pediria o voto pro Zé.

  • Pusemos a ideia em prática e fizemos conforme o combinado.
  • Mesmo sendo amadora e sem nenhum critério científico, nossa pesquisa apresentou um resultado surpreendente: Kleinübing em primeiro, Vilson Souza em segundo, Renato Vianna em terceiro e a gente na bostogésima oitava posição.
  • Ou seja: as pesquisas oficiais que tanto combatíamos estavam certas.
  • Tão certas que esse foi mesmo o resultado da eleição.
  • Decidimos ocultar os resultados, pra não desanimar a tropa.
  • Mas a partir daí passei a acreditar nas pesquisas – claro que sempre pode haver aqueles institutos que forçam uma barra, mas, na verdade, está provado que pesquisa não muda o resultado de eleição.
  • A partir daí, também, Zé Garcia se tornou especialista em pesquisas.
  • Chegou a montar um instituto para realizá-las.
  • Ele se aprofundou no assunto, usava mapas, depois planilhas, fazia os questionários e cuidava da logística de distribuição dos entrevistadores.
  • Na campanha de reeleição do Décio Lima, em 2000, as pesquisas do Zé batiam direitinho com as oficiais (O Décio foi reeleito com 63%) e nós as usávamos para saber em que bairro estávamos mais fracos, pra alguma ação de reforço.
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