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- Já li artigos, análises e reportagens sobre a greve de ônibus em Blumenau.
- Ouvi dezenas de entrevistas, com patadas de todos os lados.
- Ouvi os vereadores.
- E cheguei a 10 conclusões definitivas a respeito do assunto:
- Os trabalhadores têm razão para fazer a greve?
Não sei. - As empresas são culpadas?
Não sei. - As reivindicações são justas?
Não sei. - Os líderes da greve têm razão no que falam ou estão privilegiando o enfoque político rançoso?
Não sei. - A prefeitura está cumprindo o seu papel nesse episódio?
Não sei. - Dá pra confiar na competência do Seberb pra gerir a negociação?
Não sei. - As empresa de ônibus apresentam números confiáveis?
Não sei. - Vamos ter que aguentar essa ladainha todos os anos?
Não sei. - Daria pra ter evitado essa nhaca toda se houvesse boa vontade das partes?
Não sei. - O que é pior: nossos serviços de transporte público ou o sistema de saúde?
Não sei.
- Tem gente que gosta de café descafeinado.
- É um café que não tem cafeína.
- E tem gente que gosta de polêmica despolemizada.
- É uma polêmica que não tem polêmicaína.
- É o que está acontecendo em torno da ideia de se transferir a Câmara Municipal para a antiga prefeitura, onde funciona a Fundação Cultural de Blumenau.
- Tem um monte de gente berrando contra, até uma moção de repúdio foi redigida.
- A polêmica não existe porque ninguém quer transferir a Câmara para lá.
- Essa possibilidade foi levantada aleatoriamente por dois vereadores que nem sabem direito o que estão dizendo.
- Não se trata de uma posição de um grupo de vereadores, nem de uma posição defendida pela direção da Câmara.
- Foram apenas opiniões toscas manifestadas aleatoriamente pelo Vanderlei e pelo Beto Tribess.
- O Vanderlei já disse que não queria dizer bem o que disse.
- Vanderlei já disse uma vez que não é ligado em cultura. Tanto não é ligado, que quer que o povo decida sobre o assunto.
- É uma coisa que todo o petista faz.
- Sempre que os caras do PT acham que uma coisa não é importante, eles vêm com a história de deixar o povo decidir.
- Beto Tribess se enrola todo quando fala sobre o assunto. Ele deve ter comentado a coisa de improviso, não tem ideia dos espaços a serem ocupados e mete os pés pelas mãos quando tenta se explicar.
- A polêmica despolemizada só é bom para os artistas.
- Fazia tempo que ninguém ouvia nada sobre o setor cultural.
- Uma polemicazinha sempre ajuda o pessoalzinho da cultura a aparecer, que é o que muito artista mais gosta de fazer.
- Tive azar hoje de manhã no seminário do Blumenau 2050.
- Sentei bem na frente de duas repórteres tagarelas que falavam o tempo inteiro e davam risadas mesmo durante as palestras.
- Eu era obrigado a ouvir mais as conversas delas do que a palestra do execelentíssimo senhor prefeito municipal.
- O mesmo aconteceu com o médico e ex-secretário de educação, Maurici Nascimento, que sentou do meu lado.
- Comportem-se meninas. Sejam educadas. Ninguém precisa saber das coisas engraçadas que aconteceram com o fulano e o sicrano na TV, nem sobre quem chegou atrasado onde e nem por quê.
- Conversar na platéia de um teatro é chato, incomoda as pessoas e demonstra falta de educação.
- Acho que seria melhor conversarem lá fora.
- Fica chato pra vocês e para as emissoras em que vocês trabalham, já que vocês andam com os logotipos delas pra cá e pra lá.
- Ainda bem que não sou sacana.
- Se fosse sacana, colocava aqui trechinhos das conversinhas engraçadinhas de vocês que tive que ouvir na marra.
- E se fosse ultra mega blaster sacana, colocava o nome das duas.
- Vou ficar bem longe da duplinha nas próximas vezes que for lá.
- Ao contrário do que informaram os artistas, o prefeito João Paulo foi na Conferência Municipal de Cultura.
- Ele estava cheio de boa vontade.
- Mas voltou correndo quando dobrou a esquina e viu o que os artistas estavam preparando pra ele.

- A prefeitura de Blumenau foi muito criticada por desalojar ambulantes da rua 7 durante a madrugada para dar lugar aos corredores de ônibus.
- Por isso as novas remoções serão feitas sempre à luz do dia.
- Meta da prefeitura é devolver as calçadas ao o povo, estendendo a presença do estado às áreas ocupadas.

- O Big não quer que eu compre uísque lá.
- Pra isso, criaram o SIDECU – Sistema de Desestímulo à Compra de Uísque.
- Compreendo perfeitamente que o Big esteja vendendo uísque em excesso e que precise conter as vendas. Só acho que era mais fácil simplesmente não colocar o produto na prateleira.
UÍSQUE NO BIG DE BLUMENAU
- Comprar uísque no Big de Blumenau é um martírio.
- Eles só deixam caixas vazias nas gôndolas, pro pessoal não roubar.
- Depois de pagar, você tem que pegar o produto com um fiscal.
- Pois bem. Hoje de manhã, precisei falar com quatro pessoas em locais diferentes pra saber onde pegar a minha garrafa. Um disse que era com o outro, o outro falou que era com a moça de cabelo curto naquele box, mas lá não tinha moça de cabelo curto, só uma de cabelo comprido, que disse que não era com ela e me mandou pro guichê. No guichê a moça falou que não era lá e então chamou uma que ia passando, que chamou outra, que disse que tinha que falar com outra pessoa e então pediu a nota fiscal.
- Demorei mais pra pegar o bendito uísque do que na fila do caixa.
- UÍSQUE NO BIG DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ
- Num desses feriados, comprei um uisquezinho no Big de Balneário Camboriú.
- Lá você pega a caixa e sai com ela normalmente, com a garrafa dentro.
- Na saída, o alarme tocou.
- Voltei pra perto do segurança, passei minha sacola ecológoica pra ele com tudo dentro.
- Ele olhou e viu a caixa de uísque.
- Abriu a caixa e retirou um alarmezinho que fica grudado no fundo da garrafa.
- “O Sr. desculpe, mas era pra terem tirado isso no caixa e esqueceram”.
- O Big não quer que eu compre uísque lá.
- Mas vou continuar comprando.
- Só pra deixar eles com raiva.
Durante a inauguração do Museu da Hering resolvi espiar pelos buraquinhos de um painel através dos quais se pode ver reproduções de anúncios de roupas íntimas produzidas pela empresa ao longo dos anos. Todos os quatro que escolhi continham cartazes com homens de cueca.
O comandante do Corpo de Bombeiros, Inácio Tarcisio Kugik, fazia o mesmo ao meu lado. Quando me ouviu reclamar do azar, ele comentou: “Aqui desse lado só estou vendo coisa boa”. Depois descobri o motivo de tamanha satisfação. O lado esquerdo, escolhido por ele, concentra as imagens de modelos femininas vestindo as calcinhas da Hering.
Não se esqueça disso ao visitar o local. Tive pesadelos com cuecas a noite inteira.
Ciclachorro
Participei da cãominhada realizada no sábado passado junto meu filho e o meu cachorro. Mais de duas mil pessoas estavam no passeio. O pessoal andou tranquilamente sobre as ciclofaixas pintadas na calçada da rua 7. Como ninguém usa bicicletas na cidade, podíamos transformar as ciclofaixas em ciclachorros, estimulando os passeios com os animais.
Matagal
Uma vez eu ouvi o João Paulo dizendo que as ruas da cidade ficam cheias de mato janeiro e fevereiro porque a peãozada das empreiteiras viaja no Natal, muitos não voltam mais e fica difícil contratar gente pro serviço.
A prefeitura está sem dinheiro e a URB vem demitindo gente. Se crescer o mato que eu estou prevendo na minha rua, ela corre o risco de ser transformada em área de preservação permanente.
Novo reitor e a imprensa
A Furb teve a magnífica ideia de promover um encontro da imprensa com o reitor João Natel nas dependências do curso de gastronomia. Houve uma conversa franca altamente proveitosa, em que pude constatar dois fatos importantíssimos: 1) O jantar foi uma delícia, com destaque para o surpreendente arroz selvagem com toque goiano. 2) A sobremesa estava divinamente saborosa. Fiquei com vontade de levar um pedaço pra casa.
Não é à toa que dizem que os cursos de gastronomia da Furb são excelentes.
Risco
Estou em plena campanha para eleger o Fábio Fiedler como novo presidente da Câmara. Quero pedir um emprego lá se ele for eleito. Mas a coisa não está fácil. Você precisa abrir o olho, Fábio. Sinto que você pode levar umas belas garfadas nas costas.
Berreiro inócuo
Você sabia que teve uma conferência municipal de cultura? Não? Não tem problema. Ninguém mais ficou sabendo. O evento também não trouxe novidade nenhuma. Os artistas chorões deram aquela choramingada de sempre e, como não tinha nada de melhor pra fazer, redigiriam moções de repúdio contra o pobrezinho do João Paulo e nossos cultíssimos vereadores.
Mas numa coisa os nossos artistas pidões têm razão: a ideia de transferir a Câmara de Vereadores para a antiga prefeitura é esdrúxula, descabida e ridícula.
Perfil
Fiquei sabendo de duas coisas a respeito do Ulrich Kuhn. De acordo com um empresário que já o acompanhou em viagem aos EUA, seu inglês é tão perfeito que ele até conseguiu fazer um taxista rir com suas piadas. A outra informação é um tanto desabonadora. Segundo o Renato Valim, o Ulrich não é tão bom pescador quando costuma apregoar. Já ouvi dizer que o Ricardo Stodieck pesca melhor que ele.
Sempre ele
Vale a pena acompanhar os discursos do Zeca Bombeiro. Ele nunca nos decepciona. Na terça-feira, afirmou que “é preciso fazer alguma coisa a favor dos acidentes na nossa cidade”.
Bikes
As bicicletas de aluguel que ninguém aluga podem ter um papel importante no incremento do turismo. É só a gente doar todas elas pro Nerino Furlan e pedir pra ele transformá-las em novos brinquedinhos do Planetapéia.
Lucro
Uma das coisas que a gente mais gosta de fazer é meter pau na prefeitura quando a Oktoberfest dá prejuízo. Desta vez ela deu lucro. Já que não dá pra falar mal, temos a obrigação de cumprimentar a turma que organiza o troço. Parabéns , João Paulo. Parabéns, Norberto Mette.
Minha coluna na Folha de 27/11/2010
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Victória, uma das primeiras
Já que estamos vivenciando o Festival Brasileiro de Cervejas em Blumenau, resolvi publicar substanciosas informações sobre a produção cervejística blumenauense. Encontrei-as vasculhando o Arquivo Histórico da prefeitura.
- Em 1860, quando Blumenau tinha apenas 950 moradores, o irriquieto imigrante alemão Heinrich Hosang deu um jeito de fundar a primeira cervejaria da cidade.
- A empresa funcionou até 1923. Uma de suas marcas mais famosas era a Cerveja Victória, ainda fechada com rolha de cortiça.
- Em seu livro contábil, Hosang anotava detalhes sobre seus clientes, revelando indiscrições como o consumo diário de três garrafas por parte do médico da colônia, o Dr. Valotton, conhecido por não ser exatamente um profissional sóbrio. Vitorino de Paula Ramos, chefe do Comissariado de Terras, contentava-se com uma garrafa por dia.
- A própria família do Dr. Blumenau, fundador da cidade, consumiu 126 garrafas em seis meses, uma média mensal de 21 garrafas.
A partir de 1862, outros fabricantes se estabeleceram em Blumenau.- Até o final do século 19, outras dez pequenas cervejarias surgiram na cidade.
- Entre elas estava a Cerveja Rischbieter Brauerei, fundada por Carlos Rischbieter, cuja vida foi marcada por um dado curioso: tendo enviuvado, casou-se posteriormente com a irmã do pai da esposa falecida. Com isso, tornou-se cunhado do sogro e da própria irmã que, por sua vez, ficou sogra e cunhada do irmão.
- Bavária e Favorita foram algumas das marcas produzidas pela empresa, que funcionou até 1914.
- A Cervejaria Jennrich colocou no mercado as marcas Estrela, Polar e Kulmbach. Seu fundador, Otto Jennrich, era conhecido pelas esquisitices.
- Andava de tamancos e não raro embebedava-se com os consumidores de suas cervejas. Fumante de cachimbos, inventou uma máquina de picar fumo com a qual conseguiu decepar um dedo.
- Levando a sério uma pilhéria do médico que o informou sobre a impossibilidade de recolocar o dedo no lugar, deixou-o secar e passou a usá-lo como limpador de cachimbos.
RELATO HISTÓRICO
- As informações levatadas por mim estão condensadas no artigo “Cervejarias de Blumenau“, publicado na revista Blumenau em Cadernos em setembro de 1960 pelo jornalista e historiador José Ferreira da Silva. Abaixo, você lê a íntegra do artigo:
Cervejarias de Blumenau
J. Ferreira da Silva
Não há muito tempo, “Blumenau em Cadernos” lembrou que seria interessante contar a história das cervejarias de Blumenau, relembrando os velhos tempos da “Schuetzen Verein”, da “Frohsinn”, da “Gemuetlichkeit”, dos torneios de canto e de ginástica, que a loura e espumante bebida presidia, enchendo de alegria as almas e os corações.
O assunto é, realmente, tentador. Para a sensibilidade de poetas, principalmente, ou das criaturas sonhadoras, esquecidas do corpo envelhecido, vivendo a saudade dos tempos que lá se foram, nas rodadas do “skat”, ou nas cantorias inspiradas no tilintar dos copos, ou das desajeitada batidas dos canecões de porcelana cinzelada, cujas inscrições, pelo sentido e pela arte da gravação, representavam novos convites à intemperança, ao esquecimento das agruras da vida, para o mergulho de magoas e dissabores na espumígera e inspiradora infusão.
Qual de nós, que já vamos, na atribulada, e longa peregrinação pêlos mares da vida, dobrando o “cabo da Boa Esperança”, das ilusões e das quimeras, não sente saudades da Blumenau colonial, da cidade modesta, onde, a par da severidade de costumes, do gosto pela cultura física, da mente e do espírito, havia consciência da necessidade das alegrias sadias, que retemperassem energias dispendidas em semanas inteiras de duro labor, de esforços em busca do bem-estar próprio e da coletividade?
Vivem, apenas, na nossa recordação, as reuniões sociais, os bailes onde a cerveja crioula imperava em cada mesa, farta e barata, sobre os balcões dos bares, iluminando o geral contentamento, que se traduzia em cantos e vivas, de mistura com as polcas e valsas das orquestras de sopro, entre as quais sobressaíam as que tinham por mestres o Lindner, o Ruedige: e o singular Augusto Werner, cujo piston, assoprado por possantes bochechas fazia estremecer as vigas dos salões, cobertas de bandeirinhas de papel de seda multicor.
Registrar tudo isso, com o colorido próprio, seria tarefa para gente de maior sensibilidade artística que a nossa. Dado mais às pesquisas que às rememorações sentimentais, procuraremos, nestas linhas, traçar um ligeiro histórico das cervejarias blumenauenses, em simples enumeração de fatos e datas, deixando para os artistas da inteligência a face emocional, afetiva e poética de tão interessante tema.
Vindos da velha Germânia, onde o uso da cerveja era tradição das mais antigas, um quase culto, era natural, também, que os colonos agrupados no estabelecimento fundado pelo dr. Blumenau, pensassem como o herói de Shakespeare na “Twelfth night”:
“Dost thou think, because thou art virtuous, there shall be no more cakes and ale?”
“Pensas, por acaso, porque és virtuoso, que não deva haver mais bolos e cerveja?”
Em 1858, veio juntar-se aos colonos alemães que construíram, à margem do Garcia, a sede da colônia Blumenau, um imigrante de trinta anos de idade, natural de Brusnvique, o condado alemão de onde também procedia o fundador.
A esposa de Hosang, HELENA BRANDES, quando ainda noiva, trajando a elegante indumentária da época
Chamava-se Heinrich Hosang. Homem ativo e empreendedor, não limitou suas ocupações ao amanho da terra. Pensou logo na criação de uma indústria de cerveja, de que trouxera prática do velho mundo. E tão logo viu possibilidades de suficiente consumo para a produção prevista, e depois de ter construído sua casa na atual rua São Paulo (casa que ainda existe) e de ter se casado com Helena Brandes, instalou, nos fundos de sua residência, a sua pequena indústria.
Isso se deu em 1860, quando Blumenau contava, apenas, pouco mais de 950 moradores, agrupados em 190 famílias e outras tantas casas de moradia, das quais só umas sessenta mereciam esse nome, pois, as outras, não passavam de ranchos cobertos de palha.
O terreno adquirido per Hosang tinha 150 geiras e custara 450$000, equivalentes a Cr$ 450,00 que foram pagos à vista. Não se tendo, no momento de efetuar o pagamento, conhecimento, ainda, do regulamento da colônia (que naquele mesmo ano de 1860 passara para o domínio do governo imperial) e que concedia o desconto de 12% sobre o preço de terras pagas à boca do cofre, Hosang em 1867, requereu lhe fosse devolvida a importância que pagara a mais.
A fábrica de Hosang prosperou. De ano para ano, foi crescendo o consumo da bebida que preparava e que era a preferida no comércio local.
O casal Heinrich Hosang teve cinco filhos: Elisa, depois casada com Alvin Schrader (que chegou ao posto de superintendente municipal, tendo governado Blumenau por três quatriênios consecutivos); Oto, casado com Clara Odebrecht; Clara, casada com o conde Von Wetarp; Francisco, casado com Ana Maschke; e Helena que se casou com Hermann Schossland.
Hosang esteve à frente da sua indústria até 1888, quando faleceu com 60 anos de idade.
Seus herdeiros guardam, ainda, curioso livro de registro de vendas de cerveja, de 1880 a 1881, a comerciantes e a particulares e onde se colhem dados interessantes a respeito dos consumidores da nutriente bebida, naquela época.
Assim, verifica-se, desse livro, que a Sociedade de Atiradores, de que era zelador o sr. Francisco Lungershausen, consumiu, só no primeiro daqueles anos, 7.722 garrafas da cerveja fabricada por Hosang, fora a de outras marcas que já havia na colônia, o que representa uma média de 22 garrafas diárias.
Maurício Holetz, dono de hotel e bar, era outro grande freguês da cerveja Hosang: cerca de 300 garrafas por mês. Os negócios do Reinhardt, do Fernando Schrader, do Henrique Probst, do Sutter, do W. Scheeffer, do Victor Gaertner, do Paulo Hartmann, do Stein, do Wegener, do Beyer, do Fiedler, do Asseburg, do Rabe, do Schreiber, do Paupitz, do H. Kestner do H. Hering, do Guilherme Engelke do Jens Jensen e de muitos outros, espalhados pelo interior da colônia, eram outros tantos revendedores importantes.
Uma espiada indiscreta às páginas do livro do registro de vendas, revela-nos particularidades interessantes. Por exemplo: o dr. Valloton, que era o médico da colônia, não era muito sóbrio no consumo de cerveja: mais de duas garrafas por dia. O engenheiro Krohberger, contentava se com uma só, diariamente. O dr. Eberhardt, outro médico, farmacêutico e, depois, agente do correio, era mais moderado. O dr. Wigando Engelke, não lhe ficava atrás: 32 garrafas em dezembro, naturalmente para as festas do Natal. O dr. Vitorino de Paula Ramos, chefe do Comissariado de Terras também contentava-se com uma garrafa por dia, assim como o dr. F. P. da Costa Moreira, juiz municipal. Ao escrivão Gloeden bastavam 6 garrafas por mês. A família do dr. Blumenau, em seis meses, consumiu 126 garrafas de cerveja do Hosang. Deixemos, porém, indiscrições de lado.
Depois do falecimento de Heinrich Hosang, a viúva, auxiliada por seu filho Oto, continuou à frente da fábrica, com a mesma eficiência e o mesmo sucesso anterior, até que, em 1898, o filho do casal, Francisco e o genro, Hermann Schossland, associados, passaram a dirigir a cervejaria, sob a razão social de Schossland & Hosang.
Em 1906, Francisco Hosang assumiu, sozinho, a responsabilidade pela firma, até 1923 quando, por motivo de doença, viu-se obrigado a fechar a fábrica, vendendo todo o acervo, material e maquinismos, à firma Bock, de Nova Breslau, atual Presidente Getúlio, onde ainda prestaram serviços por longos anos.
É dessa última época, o rótulo da “Cerveja Victória” que ilustra este trabalho e que custava 300 réis a garrafa. Era, como as demais, das chamadas “marca barbante” porque as garrafas, em vez de fechadas com as tampinhas de metal, como atualmente se usa, eram obturadas com rolhas de cortiça. Um fio de barbante, passado sobre as rolhas e amarrado ao gargalo das garrafas, assegurava maior resistência aos efeitos da fermentação da bebida.
De 1862 em diante, outros fabricantes de cerveja existiram em Blumenau; parece, entretanto. que não chegaram a organizar indústria, com alguma significação, pelo volume de produção. Em relatórios do dr. Blumenau, este dá como existindo na colônia, em vários anos, cerca de 10 fábricas de cerveja. Naturalmente, tratava-se de pequenos manipuladores da bebida, espalhados por toda a colônia, servindo a uma freguesia reduzida.
Outra cervejaria importante de Blumenau foi a de Carlos Rischbieter, conhecida por “Rischbieter Brauerei”, estabelecida ao sopé do morro da Bela Vista, por volta de 1875 e que, anos depois, foi adquirida por Walter Berner, que viera de Joinville e que continuou no ramo, até época recente.
A propósito dessa fábrica, demos a palavra ao professor Max Humpl. Este educador foi professor, por dilatados anos, da escola particular de Itoupava-Sêca, dando aulas e tendo residência no edifício, hoje ocupado pelo Grupo Escolar “Machado de Assis”. Homem inteligente e de suficiente cultura, nutria acentuado gosto pelo estudo do passado blumenauense. Auxiliado pela esposa, dotada de invulgar aptidão para o desenho, elaborou um magnífico trabalho sobre os primeiros moradores do bairro, que vai perdendo, gradativamente, o nome de “Altona”, dado pêlos seus povoadores (por provirem daquela cidade alemã, ligada ao porto de Hamburgo) para firmar-se na designação de “Itoupava-Sêca” pela qual já era conhecido, antes mesmo da vinda do dr. Blumenau.
Esse trabalho, a que foi dado o título de “Crônica de Altona” foi escrito em alemão, ilustrado com muitas fotografias antigos e com desenhos e iluminuras de acentuado bom-gosto. Encontrava-se no arquivo da prefeitura de Blumenau e foi, infelizmente, consumido pelo incêndio causador da completa destruição de todo o acervo histórico do município.
Ainda bem que essa admirável e paciente pesquisadora, dona Christiana Deeke Barreto, copiou e traduziu a parte da crônica referente à família Rischbieter, em que se entrosam os seus ascendentes, salvando, assim, parte do trabalho de Max Humpl.
No propósito de tirar do esquecimento, e mesmo de eventual perda, aproveitamos a autorização, que nos deu a nossa distinta colaboradora, para transcrever, aqui na íntegra, a mencionada parte do escrito do professor altonense, o qual inclui a história da cervejaria Rischbieter e dados genealógicos da família, a que se acham ligados elementos em evidência na vida política, econômica e cultural do município:
No dia em que a bisávó Rischbieter completava, em 1905, o seu nonagésimo aniversário. Da esquerda para a direita. De pé: Alvina Clasen, Carlos Rischbieter, Wilhelm Rischbieter, Maria Rischbieter, Rosália, casada com Hertel, elisa, casada com Lueders. Sentados: Augusta, casada com Baumgarten e Charlote Rischbieter, a nonagenária, bisavó de Carlos Rischbieter. O bisavô, Heinrich faleceu em 1877. Charlotte, nata Alms, nascida em 1815, faleceu em Blumenau em 1914
Junto ao sopé do “Boa Vista” começa, com a Cervejaria Rischbieter a nossa Altona. Aproximamo-nos do homem, apoiado em uma bengala à la “velho Fritz” (Frederico Rex, da Prússia), com o inevitável cachimbo entre os dentes, expressão benévola no rosto sadio, o proprietário daquelas construções, Carlos Rischbieter que, no bonito bar da sua cervejaria, nos conta, prazeirosamente, a história da sua vida e da sua casa, apresentando-nos, assim, em horas bem agradáveis, um retrospecto dos primeiros dias dos moradores, aqui recém-estabelecidos, pois, “contar” é o seu prazer, e com razão, pois ele tem jeito para isso.
Tio Carl nasceu a 12 de setembro de 1849 em Bienenbuettel, perto de Hannover, na Alemanha, tendo aqui chegado aos 12 anos de idade, em 29 de dezembro de 1861, em companhia de seus pais Ludwig e Charlotte Rischbieter, de um irmão e seis irmãs.
De canoa, como todos os imigrantes da época, subiram o rio até a propriedade adquirida em Salto do Norte, na margem esquerda do Itajaí-Açu, defronte à atual ponte do Salto, onde Carl Rischbieter, durante doze anos, experimentou todas as agruras e prazeres da vida dos imigrantes pioneiros, tendo, depois, partido para o Rio de Janeiro, onde foi aprender a profissão de cervejeiro.
De volta, instalou-se ele, entre 1875 a 1877, perto do seu atual estabelecimento, na propriedade de Carlos Probst, fronteira às terras de Augusto Werner, com a sua primeira cervejaria, até que adquiriu, de Augusto Blomeier, a propriedade conhecida como “dos Ebert”, onde levantou as construções da atual fábrica e dependências, menos a saleta-bar, que só foi construída em 1907, como necessidade absolutamente “edificante”.
Em 1879, casou-se Carl Rischbieter com Hedwig Clasen, filha do serralheiro, estabelecido em Altona, Heinrich Clasen e de sua esposa Augusta, nascida Mathes. Tendo esta falecido, casou-se Heinrich Clasen, em segundas núpcias, com Alvina Rischbieter, irmã de Carl, tornando-se este, cunhado do sogro e da própria irmã que, por sua vez, ficou sogra e cunhada do irmão.
O irmão de Carl Rischbieter, de nome Wilhelm, havia alugado uma casinha de madeira, construída em 1863, próxima à grande figueira, ainda existente, onde ele, desde 1866, se instalara com uma vendinha e fábrica de vinagre, até que de lá se mudou para uma propriedade adquirida mais próxima à sede, pertencente, hoje, a Hartwig Rischbieter (isto em 1918. Hoje pertence aos herdeiros de Pedro Alcântara Pereira). A casinha histórica, perto da figueira, havia sido antes uma bodega de cachaça, que tinha o nome de “Waldschnepfe” (Codorna do mato), servindo de ponto de reunião dos primeiros moradores da colônia, que até ali chegavam subindo o rio, de canoa, ou pelas íngremes picadas de caçadores. Posteriormente, morou nela o sapateiro Ruehr, durante uns oito anos, tendo sido salvo, em canoa, na enchente de 1880, quando a “Waldschnepfe” foi totalmente submersa. Mais tarde, e por alguns anos ainda, estabeleceu-se na casinha um certo Steinert, com outra bodega.
Iniciou, então, Carl Rischbieter o saneamento dos pântanos nas baixadas da sua propriedade, perto da figueira, tendo colaborado também, ativamente, no melhoramento da estrada geral (hoje rua São Paulo), construída na sétima década do século passado, a qual, especialmente no trecho “dr. Sappelt” (imediações da atual praça “dr. Fritz Mueller”) e nos “Stich” (adjacências da atual esquina das ruas São Paulo e Almirante Barroso) era traçada sobre terreno pantanoso e onde inúmeras carradas de pedras foram traçadas pela espessa camada de lodo.
No ano de 1897, levantou Carl Rischbieter, junto à casa de enxaimel, já construída em 1860 por Ferdinand Ebert, demolida apenas recentemente (1914) e que, até então, servira de moradia aos Rischbieter a atual casa residencial, em situação esplêndida, à beira do rio, rodeada de árvores frutíferas, palmeiras raras e de bem cuidados jardins. À direita, encontra-se uma pedreira de rocha vermelha, que, mais ou menos, até 1910, foi explorada, tirando-se de lá, anualmente, 200 a 300 metros cúbicos de pedras. Durante a construção da Estrada de Ferro Santa Catarina, em 1907, de Blumenau à estação Hansa (no atual município de Ibirama) forneceu a pedreira, mais ou menos, um mil metros cúbicos de pedras para a construção de obras de arte.
A cervejaria prosperou, tendo sido adaptada à eletricidade em 1913.
“Bavária” (clara) e “Favorita” (escura), além da marca “Schwartzbier”, são produzidas na proporção de 100.000 garrafas anualmente, mais ou menos.
Carl Rischbieter progrediu, tornando-se cidadão abastado, conceituado e de influência na vida da comuna, onde desfruta, pelo gênio alegre, despretenciosa amabilidade e retidão inata: de grandes simpatias. Como primeiro e segundo presidente, durante longos anos, da sociedade de Atiradores de Blumenau, fundada em 1859, foi ele a alma das diversões promovidas por essa agremiação, nos “velhos bons tempos”.
Sorte e azar experimentou Carl Rischbieter, intensamente na sua vida. Tendo tido a rara felicidade de assistir, no ano de 1885, as bodas de ouro de seus pais, feriu-o doloroso golpe a 7 de abril de 1906, quando perdeu SEU filho mais velho, Adolfo, nascido em junho de 1880, cuja vida, cheia de esperanças, apagou-se, vítima de um acidente de equitação.
A 19 de janeiro de 1914 faleceu, aos 99 anos de idade, sua mãe Charlotte Rischbieter, nascida em Alms, que era a pessoa mais idosa de Altona.
Em 1904, a 29 de agosto, quando se realizou, também, o casamento de sua filha Ema, com José Deeke, celebrou Carl Rischbieter as bodas de prata com a sua esposa Hedwig, exemplo de legítima dona de casa e mãe, no estilo germânico, cujas qualidades podem ser as simbolizadas na “Canção dos sinos” de Frederico von Schiller, no seguinte trecho:
“…E no íntimo do lar age
A prendada dona de casa,
Governando, com eficiência
Ensinando as meninas,
Reprimindo os rapazes.
Movendo, sem descanso
As mãos ativas,
Aumentando as posses
Com senso organizador…”
Assim, receberam sob sua orientação, três filhos e cinco filhas, uma educação esmerada, enquanto o pai lhes proporcionava boa instrução escolar. Amparava ele, concretamente, a escola nas proximidades de sua casa, onde lecionava, durante muitos anos, seu cunhado Carlos Hertel, em benemérita atividade professoral, denominada, na época “Escola da Velha”. (Devido à próxima entrada para o vale da “Velha”, pela estrada do ribeirão Jararaca, “Scharackenbach”, na gíria blumenauense, hoje adulterado para “Jaracumbá”).
A conceituada família Rischbieter está espalhada por todo o município de Blumenau (1918, então incluindo a região de Gaspar até a zona serrana, Trombudo, Taió, Pouso Redondo, Ibirama, Timbó, Rio do Testo, etc.), como está intensamente ramificaria, atingindo as ligações famílias aqui arraigadas, demonstra o seguinte quadro:
CARL RISCHBIETER, casado com Hedwig Clasen, natural de Itajaí:
Filhos: Luís Rischieter, casado com Olga Ebert, Altona.
Madalena, casada com Willy Scheeffer, Blumenau.
Elly, casada com Hermann Maas, Altona.
Ema, casada com José Deeke, Hamônia (Ibirama).
Inês, casada com Leopoldo Rabe, Blumenau.
Frida, casada com Teófilo Zadrozny, Blumenau.
Henrique (casou em 1922 com Elena Hackländer).
Irmão WILHELM RISCHBIETER:
Do primeiro matrimônio com Ida Zesch:
Filhos: Hartwig, casado com Ana Labes, Blumenau.
Ana — casada com Henri-Eifert, Blumenau.
Charlotte — casada com Carl Budag, Velha.
Ida — casada com Franz Krueger, Blumenau.
Do segundo matrimônio com Ana Zesch, natural da Saxônia:
Gertrudes — casada com Hans Meier, Hamburgo.
Carlos — casado com Grete Delitsch, Joinville.
Irmã AUGUSTA RISCHBIETER, casada com Júlio Baumgartem (este Júlio Baumgartem era viúvo e teve, do primeiro matrimônio, 3 três filhos: Hermann, que casou com Maria Deeke; Inês, que casou com Teodoro Kleine e Júlio Baumgartem, casado em Porto Alegre e pai do nosso assinante sr. Victor Hugo Baumgartem, de Blumenau):
Filhos: Adolfo, casado com Margaret Gensly. Curitiba.
Walter, casada com Meta Wehmuth, Blumenau.
Alice, casada com o pastor Faulhaber, Alemanha.
Marta, casada com Reinoldo Anton — Blumenau.
Augusta e Emilia.
Irmã ELISA RISCHBIETER, casada com Frederico Lueders de Indaial (em segundas núpcias com Carl Ritter, de Porto Alegre)
Filhos: Arnoldo, casado com Maria Engelmann, de Joinville.
Emy — casada com Paulo Lange.” Até aqui o trecho da “Crônica de Altona”.
Temos, finalmente, a Cervejaria Jennrich, de Itoupava-Sêca, que por vários lustros, foi o ponto de reuniões alegres dos apreciadores de cerveja daquele bairro. Mesmo de Blumenau, não poucos apaixonados da loura bebida, se reuniam no bar, que Jennrich preparara num compartimento da fábrica, mobiliado a capricho, à moda das tradicionais “Bierstube” da legendária Munique, com os seus jarros e canecões de barro e porcelana lavrada, ostentando figuras e legendas, ora sérias, ora brejeiras, com chifres e cabeças de veado e de outros animais enfeitando as paredes.
Ali as horas decorriam céleres, em barulhentas tertúlias, pela noite a dentro, sob o estourar das rolhas bombardeando o teto, donde guirlandas pendiam. Ao alto da entrada, a decantada frase latina, que os leitores dos “Cadernos” já conhecem “Cerevisiam bibunt homines; coetera animantia bibunt ex fontibus”.
Quando a pressão subia além do normal, começavam as cantorias. A princípio, ordenadas, cadenciadas e harmônicas. Depois, e à proporção que o calor aumentava, iam a todas as escalas da desafinação, em sustenidos incríveis, ou em baixos tétricos e sepulcrais.
Oto Jennrich criara-se com a família Hosang (de cuja cervejaria se tornara auxiliar dedicado e operoso). Já homem maduro, estabeleceu-se por conta própria. Era, além de bom cervejeiro, homem de bastante leitura e tinha grande paixão pelas coisas do passado blumenauense. Assim é que, à própria custa, construiu, em terreno fronteiro ao da cervejaria, um pequeno sobrado em que instalou um museu. Ali se via uma infinidade de objetos de raro valor histórico e etnográfico, como flechas, arcos e outros apetrechos dos botocudos que infestavam o Vale do Itajaí; exemplares de plantas exóticas, coleções de insetos e de moedas, minerais, fotografias antigas, rótulos de produtos industriais, enfim uma série enorme de pequenas coisas relacionadas com os primeiros tempos da colônia, com os seus fundadores e povoadores, com as nossas riquezas naturais.
OTTO JENNRICH, interessante figura de industrial dos primeiros anos do município, a cujo desenvolvimento cultural prestou destacados serviços com a criação do “Museu Jennrich”.
O “Museu Jennrich” era tão ou mais conhecido e apreciado quanto a sua cerveja. Esta era vendida, sob vários nomes, como a “Estrela”, a “Polar”, a “Kulmbach”, preta, em meias garrafas. O seu custo era, geralmente, de 400 réis a garrafa.
Quando Adolfo Schmalz, Hans Lorenz e Victor Gaertner instalaram um cinema em Itoupava-Sêca, a entrada, que custava 1$200, dava direito a três garrafas de “Jennrich-Einfach”, bebidas no próprio salão de projeção, enquanto se apreciavam as fitas de Max iLnder, de Waldemar Psilander, quase sempre ao lado de Asta Nielsen.
Jennrich tinha as suas esquisitices e era de gênio reservado, pouco comunicativo, apesar de, não raro, ter que sentar-se à mesa dos apreciadores da sua cerveja e, com estes, afundar-se na conseqüente e comunicativa alegria. Andava quase sempre de tamancos. E quando era obrigado a usar sapatos, adquiria-os sempre de um ou dois números maiores que os dos pés, pois tinha verdadeiro pavor de senti-los molestados. Nunca se casou. Viciara-se no uso do cachimbo e do fumo em corda. Chegou, até, a idealizar e construir uma máquina para picar fumo. A esse respeito, conta-se que, certa feita, quando movimentava a sua máquina, fê-lo com tanta infelicidade, que decepou, totalmente, as duas primeiras falanges do indicador direito. Sem se alarmar grande coisa, embrulhou o pedaço do dedo num lenço e foi procurar o dr. Hugo Gensch para que este o repusesse no devido lugar. Verificando a impossibilidade de uma intervenção cirúrgica, o dr. Gensch pilheriou com o cervejeiro, dizendo-lhe que não ficasse triste, pois que aquele pedaço de dedo, depois de bem seco, daria um excelente limpador de cachimbo. Pois Jennrich teve a pachorra de fazer secar muito bem o pedaço do dedo e mostrava-o, frequentemente aos amigos, chamando-lhes, a atenção para a originalidade do instrumento que o médico lhe havia recomendado para desentupir o cachimbo.
Com a falange que lhe restava, Jennrich costumava fazer outras pilhérias, como metê-la, em parte, na narina, parecendo, assim, que ali havia metido o dedo todo, o que causava hilaridade aos amigos e o espanto nas crianças, que não podiam compreender como é que se podia enfiar um dedo inteiro no nariz.
Jennrich foi um cidadão prestimoso e o bairro em que desenvolveu a sua atividade, muito lhe deve do seu engrandecimento urbano e social.
A cervejaria de Otto Jennrich passou, mais tarde, para a responsabilidade da “Cervejaria Blumenauense”, em sociedade organizada por Schmalz & Thiede e foi, depois, incorporada ao patrimônio da Antartica Paulista.
Há memória, ainda, da “Cervejaria Schmidt”, que fora instalada em prédio nas proximidades da atual “Casa Flsch”, na rua 15. O proprietário, o sr. Schmidt, era sogro do dr. Bonifácio Cunha. Foi, entretanto, indústria que durou pouco tempo e que, parece, não teve desenvolvimento comercial. Pouco se sabe sobre ela, além de que o seu produto tinha pouca aceitação, sendo o seu proprietário conhecido pela alcunha de “Sauerbieronkel”, ou o “titio da cerveja azeda”.
A cerveja Schmidt tinha até um apelido depreciativo, impublicável, porque ao ser desarrolhada, emitia, com abundante espumarada, ruído característico e cheiro de fermento azedo. Pelo menos é o que a tradição nos legou.
Desapareceram, assim, as cervejarias blumenauenses. Mas a sua lembrança, ligada aos bons tempos coloniais e aos primeiros anos do município, permanecerá como a de um dos fatores que mais concorreram para amenizar as agruras da vida dos primeiros blumenauenses, pondo-lhes um pouco de alegria, de cordialidade saudável e generosa, nos anos atormentados dos começos da colonização.
- O pessoal não aluga as bicicletas de aluguel em Blumenau nem quando tem greve de ônibus.
- Parece que não tem jeito: a prefeitura vai ter mesmo que desativar o sistema.
- Mas o que fazer com as bikes? Tenho algumas sugestões:
- DESCARTE ECOLÓGICO – Consiste em jogar as bicicletas no rio. Com o tempo, elas formarão abrigo para pequenos peixes.
- INCREMENTO TURÍSTICO – Nessa opção, a prefeitura entrega as bicicletas pro Nerino Furlan e ele inventa um novo brinquedo pro Planetapéia.*
- NATAL EM BLUMENAU – Uma das saídas seria utilizar as bicicletas no Natal Luz de Blumenau (foto abaixo). Elas poderiam ornar o prédio da prefeitura. Não consumiriam energia elétrica e atuariam no combate ao aquecimento global:
* Ideia indevidamente apropriada de Paulo Aloisio Priess (@ppriess)
- Fui ver só agora o Tropa de Elite 2.
- O filme não é o bicho.
- É bom, é bem feito, tem qualidade, mas eu esperava que mantivesse o espírito inovador do primeiro.
- Pra começar: limaram a tropa de elite. Cadê o Bope? Os caras mal aparecem.
- O filme não tem a agilidade de edição e a crueza quase escatológica do primeiro.
- Ficou muito político, lento, previsível.
- As denúncias apresentadas não são novidade.
- Há muito tempo o Fantástico vem trazendo notícias sobre as milícias nas favelas, seus crimes, sua TV a cabo pirata, o controle sobre o gás e a venda de proteção.
- Já vimos assassinatos de deputados no Rio, cassações, tentativa de assassinato de um secretário de segurança e prisão de outro por envolvimento em homicídios no governo da Rosinha Garotinho.
- Denúncias contra deputados e vereadores são comuns.
- Não há nada no filme que não saibamos.
- O roteiro de Tropa 2 é menos criativo e surpreendente.
- Faltam o humor do primeiro, as sacadas, os bordões.
- Existem até furos no roteiro: o Capitão André vai preso por indisciplina por ordem do governador, some do filme e é recontratado por um coronel corrupto. Ora, e o governador? Se o governador decidiu culpar o André pelas mortes na prisão, como é que um coronel o recontrata quando bem entende?
- A relação do Capitão Nascimento com o filho não acrescenta nada ao filme.
- Os personagens de um modo geral não têm o mesmo charme do primeiro Tropa.
- Um dos pontos fortes de Tropa 1 foi o certo ar de canastrice da interpretação de Vagner Moura. Ele parecia estar se divertindo e produzia ótimas tiradas, como “põe na conta do Papa“, “pede pra sair“, “o senhor é um moleque“.
- Não temos nada disso no segundo filme.
- Vagner Moura é co-produtor do Tropa 2.
- Isso talvez explique sua atuação burocrática, sem o ar de delicioso improviso do primeiro filme.

- Teve uma conferência municipal de cultura no final de semana em Blumenau.
- Ninguém ficou sabendo, mas teve.
- Pelo jeito não teve graça.
- Ninguém saiu ferido.
- Ninguém morreu.
- Ninguém foi xingado.
- Não teve puxão de cabelo, pernada e nem canelada.
- Não esmagaram a cabeçado do Rufinos com um cano de ferro, nem colocaram fogo no bandoneom dele.
- Não arrancaram os olhos da Dona Marlene.
- Ninguém sabia direito o que fazer na tal conferência.
- Pra não perder a viagem, fizeram duas moções de repúdio: uma contra o prefeito e outra contra os vereadores.
- Resultado: você até pode dizer que em Blumenau tem artista sem noção, mas não sem moção.
- Blumenau é a cidade com mais prêmios por cidadão quadrado do Hemisfério Sul.
- É um tal de prêmio melhor isso e prêmio melhor aquilo que ninguém aguenta mais.
- É tanto prêmio o ano inteiro que a gente nunca consegue lembrar direito quem ganhou o quê, de quem e por que motivo.
- A coisa degringola de vez no final do ano, quando são desovados os prêmios que a turma não conseguiu dar durante o ano.
- Se você entrar num ônibus lotado às 7 da manhã, com 400 pessoas a bordo, é possível que cerca 80% delas (320) tenham recebido algum prêmio.
- Alguns anos atrás, um espertalhão lavou a égua na cidade, concedendo prêmio de melhor do ano a umas 500 pessoas e empresas de Blumenau.
- Lembro de que, entre os premiados, estavam A Melhor Clínica Ginecológica e a Melhor Borracharia.
- É sério. Não estou inventando.
- Até hoje me pergunto como é que o sujeito conseguiu identificar o melhor borracheiro e o melhor ginecologista. Será que usou o mesmo pesquisador?
- Que tipo de conhecimento técnico você precisa ter para identificar a melhor borracharia e a melhor clínica ginecológica?
- Existe algum risco de você se confundir entre uma coisa e outra?
- A última enchurrada de prêmios foi dada pela CDL de Blumenau. Pela demora dos locutores de rádio em ler a lista de premiados, acredito que devam ter laureado umas 3 mil empresas e personalidades.
- São tantas as variedades de prêmios entregues em Blumenau que sobraram apenas cinco categorias de pessoas ainda não premiadas:
- Melhor amarrador de cadarços de tênis em lojas de calçados.
- Melhor cunhado de vereador.
- Melhor pesador de linguicinha em açougues.
- Melhor catador de papel, latinhas de cerveja e vidro reciclado.
- Melhor escoteiro atravessador de velhinhas na rua.
- São tantos os prêmios na cidade que decidi instituir um prêmio para premiar o melhor prêmio.
- Para isso, criei o Troféu Carlos de Melhor Prêmio de Blumenau.
- O nome do troféu é, na verdade, uma maneira de fazer uma homenagem a mim mesmo, já que estou entre as quatro pessoas que nunca receberam prêmio nenhum.
- Blumenau tem umas coisas bacaninhas pra se fazer.
- Uma delas é Cãominhada, quando a gente leva os cachorros pra dar uma voltinha lá por perto da Proeb.
- Neste sábado à tarde eu e meu filho Cícero levamos o Pelé, nosso vira latas adotado, pra uma cãominhada de final de tarde.
- Foi a primeira vez dele. Até que ele se comportou bem.
- A cãominhada é muito bacana, tem muito barulho, muito cheiro de cachorro, tem criança correndo, um cocozinho aqui, um xixizinho alí.
- Foi bacana ver os guardas de trânsito ajudando e também foi legal ver que os carros usavam a meia pista muito devagar.
- Filmei um trechinho, uns 20 segundinhos, que coloquei abaixo.
- Lá pelos 10 segundos, o Pelé leva uma voadeira de uma dálmata safadinha que tava de focinheira.
- Fora isso, tudo ocorreu normalmente. Não vi cães agressivos e nem pessoas nervosas.
- Os cachorros andam tranquilos, lado a lado, sem problemas.
- Os organizadores fizerem tres pit stops, quando o pessoal parava para que os cachorros pudessem beber água colocadas em alguns recipientes. Tinha até água mineral de graça em caixinhas, pra quem quisesse.
Helenice disse que falou com o João Paulo sobre os ambulantes removidos a marretadas da rua Sete. “O prefeito se comprometeu comigo de que vai ajudá-los”, disse. Sim, Helenice, todos temos certeza de que ele vai ajudar. A certeza é tanta que até pensei em algumas coisas que o prefeito fará para que eles não morram de fome:
- Nos sábados, João Paulo fará embaixadinhas na sinaleira entre o BIG e o Angeloni, enquanto o Rudolf Clebsch e o Alexandre Brollo pedem dinheiro para os motoristas.
- Aos domingos, João Paulo venderá sucolé e pipoca no Ramiro pra ajudar o pessoal. Marcelo Schrubbe e a Norma estarão junto. Vão fazer churros.
- Nos jogos do Metrô, João Paulo andará pelas arquibancadas carregando uma pesadíssima caixa de isopor, vendendo Nova Schin pra galera acompanhado pela Dona Marlene. Inclusive no meio da torcida do Marcílio Dias, sem se importar com os xingamentos. Marleninha oferecerá churrasquinho de gato como acompanhamento.
- Todos os dias, no horário de Almoço, João Paulo venderá bilhetes de Loteria na Rua XV, auxiliado pelo Noberto Mette e o Jovino. Os três cederão seus vales-refeição para os ambulantes desalojados.
Vai pescar, Vanderlei
Vanderlei de Oliveira tem sorte. Se o regimento interno da Câmara permitisse cassação por xaropada em alto grau de insuportabilidade, ele já estava fora do parlamento faz tempo. As tosquíssimas bravatas em torno do código de ética da Câmara envergonham os seus eleitores. Na sessão de quinta-feira ele apanhou feio pelo menos duas vezes. Merecidamente.
O primeiro a dar uma surra de relho no Vanderlei foi o Napoleão Bernardes. Nunca o vi tão bravo. Napoleão desmontou sua confusa e incongruente argumentação a respeito de uma conspiração interplanetária contra ele. Até o Marcelo Schrubbe acertou algumas merecidas marteladas nos dedos do Vanderlei, que não perde a mania de agredir moralmente os colegas a partir dos mais infundados argumentos.
Faça-nos um favor, Vanderlei. Tire uns três meses de férias, pegue um caniço e vá pescar lá na barragem de Taió. Não vamos nem reclamar se o Jefferson Forest entrar no seu lugar.
Confusa confusão
São tantos os desvios, os atalhos e as picadas que o Vanderlei abre em torno do novo regimento que fica impossível saber ao certo o que ele está dizendo. Ao apelar para afirmações oportunistas e infundadas, ele põe em risco a própria credibilidade, sempre tão necessária os agentes políticos. É uma pena.
Preferência
Às vezes tenho a impressão de que o João Paulo gosta do Vânio Salm. Sempre polido e dono de uma postura elegantemente clássica, ele volta e meia aparece mostrando uma rua que precisa disso ou daquilo e depois presta conta dizendo que a prefeitura arrumou.
Novo presidente
Quero que os vereadores elejam o Fábio Fiedler o novo presidente da Câmara. Falei com cada um deles durante a semana.Todos concordam em votar no Fábio. Só há um obstáculo. Temem pela camisa que ele possa usar na posse. Ficou combinado o seguinte: no final do ano, o vereador que pegar o Fábio de amigo secreto vai presenteá-lo com um ferro de passar roupa.
Tombamento
Funcionários do Patrimônio Histórico estão apavorados. Temem que o João Paulo interprete ao pé da letra a expressão “tombar”, mandando demolir dezenas de casas antigas nos próximos feriados.
Desprestigiadas
Não vi nenhum ecomunista (ecologista comunista) de Blumenau reclamando das árvores que o João Paulo cortou na rua Sete. Talvez por que as coitadinhas não fossem tão charmosas e não rendam tanto Ibope pra moçada quanto as da Beira Rio.
(Reprodução de minha coluna na Folha de Blumenau de 20/11/2010)
- Ontem à noite estive no encontro de twiteiros e blogueiros de Blumenau.
- Você pode ver fotos clicando no Blog do Jaime Batista de Silva.
- Entre a turma que saiu cedo e o pessoal que chegou mais tarde, acho que deve ter dado umas 25 pessoas.
- 17 tinham confirmado. O pobre infeliz do Claus Jensen, que tava organizando a coisa, achou que vinham só umas dez.
- Sentei perto do Thiago Duwe, do Bruno TMX, do Claus, da Míriam Mesquita e do Carlos Eduardo Pimpão.
- Logo depois chegaram o Cao Hering e o Ivan Naatz, que ficaram perto de mim.
- O Cao tava com a mulher dele, a Maria Zimmermann. Ela é psicóloga, o que, de certa forma, a torna a mulher ideal para o Cao. Assim ele pode fazer terapia enquanto fica em casa tomando cerveja, enquanto passa lava-jato na calçada ou mesmo enquanto dá banho no cachorro dele.
- Conheci O Trabuco de Blumenau. Descobri que ele, assim como eu, levava a filha para as baladas de madrugada usando pijama.
- Embora não tenha falado com ela, conheci a Sol Brasil. Aliás, se você quiser alguém animado para uma festa, dê um jeito de convidá-la.
- O clima estava legal, minha Eisenbahn de trigo veio geladinha.
- O Cao Hering pagou um camarãozinho extra pro pessoal que tava perto dele. Claro que me aproveitei.
- A turma era divertida e era divertido ver pessoas se abraçando e sorrindo quando eram apresentadas.
- Em muitos casos pareciam velhos conhecidos.
- O jeitão despojado do www.ranchodadinha.com.br contribuiu pra deixar o pessoal à vontade.
- Tão à vontade que rolou até uma declaração de amor para a Patyzinhafunk.
- Fazia tempo que eu não via um bando de tagarelas tão animado e divertido.
- No final, o Claus proferiu um discurso.
- Ainda bem que foi curto.
- O encontro mostrou que a rede de relacionamentos de pessoas da mesma cidade pelas redes sociais é uma coisa que irá evoluir bastante, pois ajuda na aproximação de afinidades e linhas de pensamento.
- Em resumo: foi um encontro otimamente bom.
- Tão otimamente bom que estou confirmando minha presença no próximo.

Ótima noite em ambiente despojado na companhia de alegres tagarelas (Foto que alguém tirou com a máquina do Jaime Batista da Silva)
- Luiz Carlos Prates é um chato de galochas.
a
- Hoje tem encontro de twiteiros e blogueiros de Blumenau no Rancho da Dinha.
- Eu vou lá tomar uma cervejinha e jogar conversa fora com o povo.
- Você também pode ir. É só dar as caras por lá aí pelas 8 da noite.
- Diante de dúvidas recorrentes sobre o evento, decidi fazer alguns esclarecimentos pra que você saiba exatamente o que são e como funcionam esses encontros.
- O que acontece nos encontros de blogueiros e twiteiros de Blumenau?
Nada de importante. O pessoal bate um papinho e depois vai todo mundo embora sem nenhum tipo de compromisso. Por isso é que é legal.
- Por que esse encontro está sendo organizado pelo Claus Jensen?
Por que o pessoal pediu. - Claus Jensen é alguém especial?
Não. Ele é um zé mané qualquer, assim como eu e você. Basta olhar pra cara dele pra saber disso. Até onde eu sei, a única coisa de importante que o Claus fez na vida foi o blog onde o pessoal marca os encontros de twiteiros e blogueiros: VEJA AQUI - Por que vai ser no Rancho da Dinha?
Por que sim. - Quem pode participar desses encontros?
Todo mundo que tem um bloguezinho ou twita de vez em quando. - O Valther Ostermann e o Cao Hering irão participar?
Torcemos para que isso não ocorra, mas não se pode impedir que eles apareçam. Geralmente os organizadores utilizam códigos para confundir os dois. Da última vez, eles foram parar num caldo de cana em Ilhota achando que o encontro era lá. Ficaram esperando sentados por quase três horas. Na volta eles se perderam em Gaspar por que o Valther mandou o Cao virar à esquerda no Gasparinho. O encontro acabou antes que tivessem chance de aparacer. - Quais os temas tratados nesses encontros?
São abordados os mais variados temas, a maioria sem a menor importância. - Que tipo de aprendizado podemos tirar desses encontros?
Nenhum. - Quem pode organizar esses encontros?
Qualquer um. Até mesmo o Vanderlei de Oliveira e a Norma Dieckmann, embora eu duvide que alguém se arriscasse a ir. - O Jaime Batista da Silva confirmou presença. Ele vai colocar fotos do encontro no blog dele?
Tomara que não. - O que acontecerá se o Marcelo Schrubbe, o Fábio Fiedler e o Zeca Bombeiro aparecerem?
O Rancho da Dinha mantém um vigia altamente treinado na esquina. Ele fica disfarçado de traficante de drogas, para não ser incomodado pela polícia. Ao menor sinal de aproximação de um vereador, o sujeito toca um apito. As portas são fechadas e as luzes ficam apagadas até eles irem embora. - O prefeito estará presente?
Se o João Paulo vier, teramos que deixá-lo entrar. Do contrário, corre-se o risco de ele mandar demolir o Rancho da Dinha a marretadas durante a madrugada só pra se vingar da gente. - Se eu levar minha mulher ou minha irmã, os organizadores se responsabilizam por elas?
De jeito nenhum. - Quero organizar um encontro, como faço?
Chame um amigo blogueiro ou twiteiro e combine de ir num buteco com ele. Em seguida, espalhe isso pelo Twitter. Quem quiser ir vai e fica tudo bem. - Qual o número mínimo de participantes?
Um bom encontro de twiteiros e blogueiros precisa ter no mínimo duas pessoas. O sujeito que organiza e um garçon pra servir alguma coisa pra ele. Se o estabelecimento aceitar a presença de animais, recomenda-se que o organizador leve o próprio cachorro para fazer companhia caso não apareça mais ninguém.
- A puxada dos cavalos em Pomerode é injusta.
- O cavalo faz a força e o dono ganha o prêmio.
- Por uma questão de justiça, o dono também tem que fazer força.
- Estou fazendo novos regulamentos pro evento.
- Cada dono de cavalo terá que andar dez metros levando um tijolo pendurado nos testículos.
- Uma vez transposta essa distância, adiciona-se mais um tijolo, para que ele caminhe de volta.
- Detalhes importantes:
- Os tijolos serão maciços, iguais aos que são usados na construção enxaimel da cidade mais alemã do Brasil.
- Os tijolos serão mergulhados na água, para que ganhem mais peso e consistência, valorizando, assim, o desempenho dos competidores.
- Vencerá a prova o cavalo………. Perdão, me confundi.
- Vou repetir: vencerá a prova o dono de cavalo que completar mais vezes o trajeto, carregando o maior número de tijolos pendurado nos testículos.
- Parágrafo único: somente poderá submeter o cavalo à competição o proprietário que conseguir puxar pelo menos três tijolos pelos testículos, sem gemer e sem soltar um aizinho sequer.
- Passava eu a pé pela Beira-Rio, perto da Havan, quando me deparei-me com a pequena escadaria ao lado da Musical Systems.
- Fiz uma foto em homenagem aos velhos tempos.
- Essa escadinha dá acesso a um espaço que fica no porão do prédio.
- Nos anos 80, esse porão era ocupado por dois ícones da história blumenauense contemporânea: a Cord´s Whiskeria e a sede do diretório municipal do PT, único partido político da cidade que à época mantinha um comitê ativo no ano inteiro e não apenas em época de eleições.
- Passei muitas tardes, noites e madrugadas enfiado naquele porão, seja em reuniões, seja em atividades de redação e montagem de panfletos e jornais.
- Ficávamos numa das extremidades do porão. Para chegar lá andávamos por um corredor que ladeava a Cord´s.
- A boa e velha Cord´s era um puteirozinho que recebia prostitutas e travestis. Eu diria que a coisa era meio a meio.
- Nunca nos incomodamos com nossos vizinhos.
- Volta e meia, no entanto, éramos confrontados com dois tipos de engano.
- Travestis e prostitutas que iam pela primera vez à Cord´s erravam de porta, atravessavam o corredor polonês e se surprendiam com a leitura de algum texto marxista lá no fundo.
José Garcia, nosso grande e amado líder petista, adorava receber as visitas.
- Aí, pessoal. Vieram se filiar no PT? Tenho as fichas aqui pra vocês assinarem. - Outro tipo de engano era cometido por executivos e frequentadores da Cord´s em geral. Os caras vinham animadaços e tomavam um choque quando viam os cartazes do Chê, do Marx e do Lenin pendurados nas paredes.
- A diferença entre os dois grupos estava no barulho provocado pelo caminhar.
- Travestis e prostitutas usavam salto alto. Todos já sabíamos o que esperar quando ouvíamos o trote das bonecas.
- Abaixo, desenhei um mapinha pra você entender como as coisas funcionavam.
- Uma coisa eu posso garantir: embora fosse vizinho de boate, o PT daquela época era um partido que vivia longe da sacanagem.
Andei lendo que a empresa que quer construir o Vorax, o super carro blumenauense, tem mais de 20 investidores e disporia de R$ 30 milhões para iniciar a produção. Lembrei logo do Ciefe: o projeto ia custar R$ 60 milhões, mas morreu na casca porque nem o Décio e nem o João Paulo se dispuseram a gastar um mísero milhãozinho na desapropriação de um terreno.
Sempre fico com um pé atrás quando aparece um empreendimento milionário que depende de uns míseros trocados da prefeitura pra sair do chão.
Confiante
Falei com o Valdair Mathias sobre o projeto do Vorax. Disse a ele que não entendo como um projeto milionário pode atrasar três anos só por que a prefeitura ainda não definiu o aluguel de um galpão. Mathias disse que posso ficar tranquilo. Ele está convicto de que a coisa é quente.
Então tá. Tomara que ele esteja certo. Não merecemos um novo Ciefe.
Aureliano Veras foi homenageado pela Câmara, por indicação do Napoleão. Um monte de gente recebe homenagens. Certamente o fazem por merecer. Não posso falar de quem não conheço, mas posso falar de quem conheço. E conheço o Aureliano. Já trabalhei com ele. Me divertia chamando-o de Aurélio só pra entisicar com ele.
Aureliano Veras é um sujeito sensacional. Faz as coisas com competência, é atencioso, respeita a todos, procura fazer o melhor. Já o vi fazendo milagres para resolver imprevistos na antiga Proeb, correndo atrás de coisas que nem eram obrigação dele. Dirigindo a Kombi da Secretaria de Turismo, já visitou mais de 900 agências de turismo divulgando a Oktoberfest.
Aureliano fez um discurso bacana, lembrando-se do jovem negro que chegava a Blumenau 36 anos atrás receoso de como seria recebido. “Descobri logo que o blumenauense não liga pra cor da sua pele se você agir corretamente, com responsabilidade”. É isso aí, Aureliano. Também penso assim. Grande abraço e parabéns a você, pelo seu trabalho e por sua bela família.
Comunicação mal feita
Vanderlei distribuiu amplo material criticando o novo Código de Ética dos vereadores. Fiquei feliz quando comecei a ler, pois pensei que encontraria subsídios para descer a lenha no Napoleão, no Mantau e no Fábio Fiedler de uma vez só. As anunciadas denúncias do Vanderlei, no entanto, perdem-se em meio a um texto tortuoso, confuso e mal enjambrado.
Alô, pessoal do PT. Vocês deviam fazer uma vaquinha e contratar uma assessoria de comunicação decente para o partido e a bancada. O PT perde muito por sua comunicação torta e amadora.
A coisa tá braba
Comentário de um empresário do setor de software de Blumenau: ”Está tão difícil achar profissionais de informática que, se abrirmos vagas específicas para mão de obra desqualificada, não vai aparecer ninguém”.
Crematório natural
O crematório de Blumenau deveria funcionar somente no inverno. Do jeito que faz calor no verão, basta deixar o defunto quinze minutos sobre a calçada pra que ele fique torradinho.
Red Bull
Estava eu no tumultuado trânsito de Blumenau na chuva quando ouvi, numa rádio, um representante do Seterb sugerindo que os motoristas pegassem caminhos alternativos para evitar os congestionamentos.
Quase morri de rir. Isso só vai acontecer no dia em que o Seterb distribuir Red Bull nas sinaleiras. Caminho alternativo por aqui só se o pessoal criar asas.
Todos rebaixados
Esqueça aquele ranking da qualidade da polentinha frita que andei fazendo aqui. Minha última ida ao Na Moita foi uma decepção. A polenta estava um horror. No início da semana encontrei uma polentinha meio desanimada também no Ataliba. E ontem, sexta-feira, a polenta frita do Gutes Essen também não estava lá aquelas coisas.
Estou rebaixando os três. Aliás, o ranking da polenta frita será feito apenas no final de cada ano, quando darei uma nota média pros restaurantes que frequento.
Termo apropriado
Certas audiências públicas realizadas na cidade atraem tão pouca gente que deveriam ser chamadas de “ausências públicas”.




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