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O governo do João Paulo, o Absoluto, tem sido criticado por um montão de coisas. Não há espaço para enumerá-las, mas elas quase sempre envolvem três vetores: falta de transparência, uma certa dose de empáfia e uma visível indisposição ao diálogo. Uma profunda e exaustiva investigação feita por mim encontrou os culpados dessa situação. São seis: Helenice Glorinha Machado Luchetta, Jens Juergen Mantau, Marco Antonio Mendes Gonçalves Wanrowsky, Napoleão Bernardes, Roberto Tribess e eu.
Para se chegar a esses culpados, recorri a um cálculo matemático: temos 15 vereadores. Caso o João Paulo fosse o Lampião, apenas quatro deles poderiam ser classificados como jagunços armados do seu bando: Antônio João Veneza de Souza, Marcelo Schrubbe, Fábio Allan Fiedler e Norma Tusnelda Dickmann. Deusdith de Souza e Jovino Cardoso Neto são independentes. João José Marçal, um aliado circunstancial. Zeca Bombeiro é o Zeca Bombeiro e só.
Base forte, mas nem tanto
A base do apoio ao João Paulo conta com apenas quatro pilares bem estaqueados, todos do DEM. Os dois do PT são oposição. Jovino e Deusidth, constantemente chutados pelo João Paulo, estão fora da conta de aliados incondicionais. Zeca Bombeiro e Marçal também. Isso significa que, dos 15 vereadores, seis não lambem o chão por onde João Paulo passa.
Para garantir maioria, o prefeito precisa dos quatro votos do PSDB e um do PMDB, partidos que, junto com o DEM, consolidam a Tríplice Aliança paroquial mesmo após o rompimento da estrutura-mãe vigente no Governo do Estado.
Mulher de bandido
Os cinco vereadores do bloco PMDB/PSDB volta e meia tomam nosso precioso tempo com churumelas, reclamando que a turma do João Paulo os ignora, atropela e pisoteia. Parecem mulher de bandido: apanham, mas ficam sempre do lado do seu homem. Napoleão, Beto, Helenice, Marco Antônio e Mantau, atenção: vocês são os únicos responsáveis pelos acontecimentos que vocês mesmos criticam. Façam as contas: unam-se e exijam um mínimo de respeito.
Caso contrário, é melhor que fiquem calados, para que seus eleitores não pensem que vocês são como aquela mulher espancada todos os dias pelo marido bêbado.
Seus eleitores já estão cansados de ouvi-los choramingar. Vocês todos estão ficando desgastados. Nessa semana, Marco Antonio reclamou da prepotência da Secretaria de Planejamento, que se recusa a receber comerciantes interessados em se manifestar sobre o corredor de ônibus. Helenice o apoiou. E daí? Lamento, meus caros, mas suas manifestações são inócuas.
Se é para escancarar publicamente uma humilhação, é melhor que façam como o Zeca Bombeiro e a Norma: usem seu tempo na tribuna para mandar abraços ou para divulgar campeonatos dos clubes de caça e tiro.
O sexto culpado
Como disse, o sexto culpado sou eu. Votei no Napoleão.
Perdemos para o câncer o empresário Ingo Greuel, fundador do Cetil e do CTG Fogo de Chão. O Cetil – Centro Eletrônico da IndústriaTêxtil, fundado por ele e por Décio Salles, em 1969, em Blumenau, tornou-se o maior birô de serviços de informática da América Latina durante nos anos 70 e metade da década de 80. Conheci-o em 1986, quando fui assessor de imprensa da empresa.
Ingo Greuel nunca perdia o bom humor. Ao lado, você vê um inusitado anúncio de falecimento em que ele próprio convida amigos e até desafetos para o próprio enterro. O CONVITE PARA MEU ENTERRO foi publicado no Jornal de Santa Catarina no dia posterior à sua morte.
Basta clicar na imagem para ver o conteúdo em tamanho normal.
Minha contratação para ser assessor de imprensa do Cetil teve participação direta de Ingo Greuel. Quando vi no jornal o anúncio de que a empresa precisava de um assessor de imprensa, resolvi redigir um currículo diferente.
No período da tarde, eu era editor de Polícia do Jornal de Santa Catarina. Pela manhã, fazia trabalhos eventuais. Comecei meu currículo assim: “Sou editor de polícia do Jornal de Santa Catarina. Calma. Não há motivo para pânico”. A partir daí, expus o que entendia ser uma assessoria de imprensa e o que me propunha a fazer.
Detalhe: no currículo, eu confessava que não tinha a menor experiência no assunto.
Numa bela tarde, recebi um telefonema do delegado regional de polícia de Blumenau, Vítor Anderle. Ele e Ingo Greuel eram amigos e integravam o CTG Fogo de Chão. Ingo havia telefonado a ele para pedir informações a meu respeito. Afinal, eu era repórter policial, uma função não muito nobre, quase sempre relegada a profissionais de segunda linha dentro dos jornais.
Eu nunca havia aceitado suborno. Nunca havia pedido dinheiro ou favores a policiais. Nunca me envolvi em negócios escusos com ninguém. Vitor Anderle garantiu a Ingo Greuel que eu tinha ficha limpa.
No contato que teve comigo, o delegado disse: “O Ingo gostou muito do teu currículo, mas estava preocupado em saber se você tinha algum problema ético. Ele vai te contratar”.
Desnecessário dizer que fiquei sem comer direito sem dormir por dois ou três dias, até que chegou o telefonema do Cetil.
Em minha passagem pela empresa, tive sorte. Minha sala ficava ao lado sala da presidência, separada por uma porta não utilizada que ficava às minhas costas. De vez em quando Ingo me dava um susto, abrindo-a intempestivamente. “Tonê, vem aqui”, dizia .
Chamava-me para a frente de sua mesa, oferecia café e passava a comentar comigo as notícias pitorescas que eu publicava na página de Polícia do Jornal de Santa Catarina.
Gostava também de ouvir coisas sobre os bastidores da política.
Esse era o jeitão do Ingo Greuel que todos apreciavam: sempre disposto a um bom papo. Sobre sua importância para com a história da informática, dizia: “Comigo ou sem migo, a coisa teria acontecido. Mas fico feliz de ter contribuído”.
Amante dos cavalos, Ingo me pedia para ajudá-lo na divulgação de eventos de equitação. Um dia levei uma bronca ao apresentar um texto com alguns erros: “Em equitação mulher não é jockey. É amazona. E os cavalos andam em pistas, não em raias. Vê se aprende, Tonê”.
Nunca esquecerei do Ingo Greuel. O primeiro blumenauense a pronunciar corretamente o meu sobrenome: Tonê.
Estejas bem, patrão.
- Blumenau vive hoje o Dia do Desafio, data em que o pessoal deve correr ou praticar exercicios por pelo menos 15 minutos.
- Blumenau está competindo com a cidade cubana de Camaguey.
- Em Cuba todo dia é Dia de Desafio
- Desafio de não ser preso.
- Desafio de expressar livremente uma opinião.
- Desafio de conseguir comida.
- Desafio de olhar para qualquer lado em que não haja um retrato do Che ou do Fidel.
- Desafio de não ter que olhar para a cara do Raul Castro na TV o tempo todo.
- Em Cuba o pessoal passa o tempo todo correndo da polícia do Fidel.
- Em Cuba o pessoal passa o tempo todo correndo atrás de um pedaço de pão.
- Em Cuba o pessoal passa o tempo todo correndo pra tentar alcançar uma jangada e fugir pra Miami.
- Eles correm muito mais que nós.
- Não temos a menor chance de ganhar.
- Estamos perdidos.
- AINDA BEM!
A construção da nova sede deve começar ainda deste ano. A previsão é de que a obra fique pronta em dois anos e meio. O local ainda não foi escolhido, mas deve ficar longe do centro, em local de fácil acesso. O prédio terá salas amplas, com salas de reuniões e espaços para serem usados por entidades de interesse comunitário. Quem me disse isso foi o Mantau, na terça-feira pela manhã (25), durante o evento que as entidades empresariais promoveram contra o excesso de impostos.
Já disse aqui que a nova sede da Câmara é uma necessidade urgente. O espaço atual é uma vergonha. As instalações são tacanhas e obsoletas. Espero que nossos briosos edis entrem em acordo para a construção de uma sede ampla, moderna e funcional, voltada para uma maior interação com a comunidade.
Mantau é um sujeito inteligente, competentíssimo, sexy e bonitão. Com certeza, será capaz de conduzir com extremo sucesso e eficácia este nobre projeto.
Mantau, o meu ídolo
Você deve estar se perguntando por que passei a classificar o Mantau como um sujeito inteligente, competentíssimo, sexy e bonitão. A razão está na foto ao lado. Ela mostra o momento em que eu o encontrei na rua XV.
Pedi a ele um emprego na Câmara, com salário acima de R$ 12.000,00 e expediente apenas duas vezes por semana, em meio período. Deixei claro que, caso ele não me atendesse, passaria a atacá-lo na minha coluna.
Mantau prometeu que vai me arranjar o emprego. Veja que ele selou a promessa com um aperto de mãos. Eu e você sabemos que aperto de mão de político vale mais do que qualquer documento passado em cartório. Por isso acredito piamente que terei meu emprego em breve, quando abandonarei a coluna e darei adeus ao salário de fome que a Folha me paga.
Um exemplo a ser seguido
Indaial está promovendo uma série de testes antes de modificar o trânsito. A prefeitura contratou uma empresa de São Paulo para ajudar no projeto. Só depois de verificar a eficácia, irá decidir pela implantação.
Recadinho para a Secretaria de Planejamento: Indaial fica aqui pertinho. Chega-se rapidamente até lá pela rua Bahia. Talvez essa minha orientação seja útil, já que não custa nada pesquisar algum jeito de testar as coisas no trânsito antes de se partir para a efetivação das mudanças.
Curiosidade técnica
Quantos engenheiros trabalham para a prefeitura? Quantos estão em empresas que prestam serviços a ela? Quantos estão envolvidos nas diversas obras em andamento? Quantos estão envolvidos no planejamento urbano e de trânsito? Em que universidades eles estudaram? Qual o conceito delas no Enem?
O engenheiro e o marceneiro
Quando eu trabalhava de marceneiro com meu pai em Rio do Oeste, volta e meia recebíamos projetos de esquadrias desenhados por engenheiros. O velho José Tonet me aconselhava: “Tu precisas estudar pra ter emprego bom que nem eles, senão vais ficar aqui a vida toda trabalhando no pesado e nunca vais ser alguém na vida”.
Nunca tive inteligência suficiente para sequer passar num vestibular de engenharia. Mas garanto-vos que, como marceneiro, dei conta de executar todos os projetos.
Diante de tanta obra mal feita na cidade e de tanta confusão em torno das soluções para o trânsito, chego à conclusão de que temos engenheiros de mais e marceneiros de menos.
Se precisarem de um, é só chamar.
A lista dos culpados
Fiz um estudo secreto para saber quais são os culpados pelas atuais agruras administrativas vividas por Blumenau. Cheguei a uma lista de seis nomes. Dois deles são réus confessos. Vou revelá-los na coluna de domingo.
Atenção: por incrível que pareça, o Décio não faz parte da lista.
São tantas as agruras pelas quais estamos passando não resta outra solução a não ser criar o Projeto Reza, Blumenau. Alguns exemplos:
•Temos que rezar para que os corredores de ônibus funcionem mesmo sem terem sido testados.
•Temos que rezar para que a situação do cruzamento da Beira Rio com a República Argentina se resolva por si mesmo, já que nossas autoridades estão perdidas.
•Temos que rezar para que o tal centro de convenções monstro que o Pavan está prometendo para Balneário Camboriú nunca fique pronto, senão o nosso turismo de eventos emborca de vez.
•Temos que rezar para que as obras de contenção de deslizamentos vagabundas e mal projetadas resistam às próximas garoas, porque com as chuvas propriamente ditas elas já não se agüentam.
Lula é uma das dez pessoas mais influentes do mundo segundo a revista Time. Décio Lima deu entrevista à Nereu e afirmou textualmente: “Vou convencer o Lula a aprovar o fim do Fator Previdenciário”.
Essa afirmação mostra que a Time errou. Quem devia estar na lista dos mais influentes do mundo não é o Lula. É o Décio. Acho até que foi o ele que mandou o Lula propor o acordo ao Armadinejad. Só não sei por que o Décio não usa esse poder para convencer o presidente a transferir para cá as verbas contra as catástrofes enviadas para a Bahia.
Enrolation
Na Nereu, Décio teve que responder novamente sobre sua assinatura no projeto que adiava o sorteio da Mega-Sena. Minha empregada Simone, a Crédula, continua achando a história muito estranha.
Dica preciosa
Em 2008, num debate, Décio revelou para todo mundo que Edson Adriano estava morando sozinho e acusou o João Paulo de ser o responsável por sua separação. Tem gente rindo disso até hoje. Agora, Décio diz que tem o poder de convencer o Lula sobre um assunto em que o próprio presidente tem se mostrado reticente.
Se o Lula vetar o projeto, nosso vibrante deputado leva mais um tombo do próprio cavalo.
A assessoria do Décio devia evitar entrevistas longas. Quanto menos ele falar, melhor. Se estiver dando entrevista por telefone, derrubem o aparelho no chão depois de dois minutos. Em seguida, tranquem o homem no almoxarifado do gabinete e mantenham-no incomunicável durante o dia inteiro.
Eu só quero ajudar. Estou dando essa dica apesar de ser prejudicado por ela. Afinal, quanto mais o Décio fala, mais eu fico feliz.
Burros enterrados
Ideli, a minha ídola, circulou por Blumenau e deu entrevistas em que caprichou nas críticas ao governo de João Paulo, o Absoluto. Falou da falta de projetos para beneficiar famílias com moradias e disse que o viaduto da Mafisa só não está pronto porque a prefeitura demorou para fazer as desapopriações necessárias, o que é uma verdade.
Ideli disse também que é preciso desenterrar a caveira de burro enterrada na obra. Não é só uma caveira, senadora. Do jeito que a coisas andam, acho que tem pelo menos uma meia dúzia de burros inteiros enterrados lá.
Projeto Reza, Blumenau
São tantas as agruras pelas quais estamos passando não resta outra solução a não ser criar o Projeto Reza, Blumenau. Alguns exemplos:
- Temos que rezar para que os corredores de ônibus funcionem mesmo sem terem sido testados.
- Temos que rezar para que a situação do cruzamento da Beira Rio com a República Argentina se resolva por si mesmo, já que nossas autoridades estão perdidas.
- Temos que rezar para que o tal centro de convenções monstro que o Pavan está prometendo para Balneário Camboriú nunca fique pronto, senão o nosso turismo de eventos emborca de vez.
- Temos que rezar para que as obras de contenção de deslizamentos vagabundas e mal projetadas resistam às próximas garoas, porque com as chuvas propriamente ditas elas já não se agüentam.
Esbarrei no João Paulo numa ocasião em que eu tinha em mãos o livro “Os Três Grandes”, obra que relata os bastidores do relacionamento pessoal entre Stalin, Churchil e Roosevelt. Falei a ele sobre minha admiração pelo camarada Stalin, o maior vencedor da II Guerra e a mais astuta de todas as raposas políticas. João Paulo disse que admira Churchil. Leu vários livros sobre ele. Citou-me passagens de sua biografia e fez a defesa do líder inglês como personalidade a ser seguida. Faz sentido. Churchil era conhecido pelo apelido de “Buldogue” por sua teimosia e persistência. Era mais teimoso que uma mula.
A determinação e a persistência do João Paulo na questão do esgoto demonstram uma total identificação com Churchil no quesito teimosia. Agiu contra a opinião pública, ignorou os editoriais, fechou os ouvidos aos protestos, desconsiderou os riscos jurídicos e bancou um inédito racha em sua base de apoio.
A História mostra que a teimosia, antes de ser um defeito, pode ser uma virtude de grandes líderes. Mas se João Paulo estiver errado, ela cobrará seu preço. Dele e de nós.
Lealdade
Por mais que eu e você tenhamos dúvidas em relação ao que acontece com a privatização do esgoto, não podemos esquecer de que a dupla de violeiros caboclos João Paulo & Luiz Ayr não está sozinha no caso. A coisa só vai adiante graças ao apoio da maioria dos vereadores, cujos nomes e partidos sabemos de cor e salteado.
Um político é movido por lealdades. No campo ético, a lealdade se dá em relação a ideologias e ao povo que o elegeu. Um político pode devotar sua lealdade também para os mais diversos interesses, como o poder econômico, os financiadores de sua campanha, o enriquecimento pessoal ou o simples oportunismo.
Os próximos anos dirão a quem nossos vereadores foram leais.
Pelo fim de uma vergonha
João Paulo deveria anular o processo do esgoto, para começar do zero. Não iria mudar nada, a mesma empresa ganharia, mas não teríamos tantas suspeitas e ele não passaria por tamanho desgaste. Lamento que nem ele os vereadores pensem desse jeito.
Torçamos para que, pelo menos, o esgoto de Blumenau seja realmente tratado. Nossa situação em termos de saneamento básico é ridícula, lamentável e inaceitável, digna das mais miseráveis tribos africanas.
Mais um exemplo para o Brasil.
Déspota esclarecido
Vou contar uma historinha que o João Paulo não conhecia. Acho que ele vai gostar. No evento em que trocamos ideias sobre o livro “Os Três Grandes”, eu estava sentado numa mesa ao lado de três empresários paulistas. João Paulo fez alguns comentários sobre a II Guerra, mas ressaltou que sua especialidade são estudos sobre a Idade Média. Citou livros e autores e explanou algumas linhas de pensamento.
Depois que ele se afastou, um dos empresários anotou o nome do meu livro e comentou com os colegas:
- “Vocês sabem quem era esse cara aí?”. Ambos disseram que não. – “É o prefeito de Blumenau.”
Então um deles disse: – “Mas essa cidade realmente é diferente. É um outro país. Onde mais é que a gente encontra um prefeito inteligente, que lê livros e discute história e cultura?”
Não precisa me agradecer por isso, João Paulo. Os méritos são seus. Continuarei descendo o porrete na sua administração quando for preciso. É sempre bom bater em pessoas esclarecidas. Mesmo as mais teimosas.
Ivan, o Ponderado
Ivan Naatz está ficando cada vez mais esperto. Ivan, o Terrível, está dando lugar a Ivan, o Ponderado. No protesto montado nas galerias da Câmara por movimentos contrários à privatização, manteve-se à margem dos insultos e do berreiro. Pediu calma, agiu como moderador.
Suas vitórias na Justiça mostram que é competente como advogado. A exposição na mídia, aliada a uma nova imagem moldada por um discurso menos panfletário e cada vez mais propositiva, tende a lhe aumentar o capital político.
Lula andou comparando Dilma a Mandela num programa de TV. Disse que ambos foram presos por que lutaram pelo povo.
Bacana, legal.
Mas Mandela ficou 27 anos encarcerado.
Dilma ficou só três aninhos em cana.
Para ser comparada a Mandela, Dilma deveria puxar pelo menos mais uns 24 anos de cadeia.
Fico impressionado com a limpeza e a conservação do Ramiro. Mesmo com milhares de pessoas passando por lá todos os finais de semana, as flores não são pisoteadas, os canteiros estão sempre floridos.
A quantidade de lixo espalhado é pouca, em relação ao também reduzido número de lixeiras. Alguns poucos itens estão quebrados.
A administração põe a culpa de tudo nos vândalos. Mas os tais vândalos devem ter algum código de ética que limitam em 50% o volume de mesas a serem quebradas, já que uma delas teve o tampo rachado e uma outra, ao lado, permanece intacta. O tampo quebrado está daquele jeito há mais de 200 anos. Uma reposição simples, que a gestão do parque não providencia.
O tal código de ética também deve impedir os vândalos de pisar nas flores e quebrar os brinquedos das crianças, já que estão todos em perfeita ordem.
Pelo menos em alguns casos, quando se trata de manutenção de espaços públicos, parece que o vandalismo é mais oficial do que resultante da ação daquela meia dúzia de sempre. Às vezes, culpar vândalos é uma excelente forma de acobertar a própria falta de iniciativa.
Décio Lima tem sorte de não ser agricultor. Se fosse, já estaria sem os dedos dos pés de tanto acertar com a enxada neles. O tempo passa e Décio não perde sua incrível capacidade de marcar gols contra. Ele acaba de se envolver em mais uma ação que o coloca contra os interesses de Blumenau.
O senador Raimundo Colombo fez um projeto que destina a arrecadação de um sorteio da Mega-Sena em favor das obras de reconstrução de SC. Décio foi o único parlamentar catarinense a assinar um requerimento que atrapalha e põe em risco sua aplicação.
Acusado de prejudicar o estado e a região, Décio meteu os pés pelas mãos na hora de se explicar. Começou de um jeito, acabou do outro e, para se defender, acertou mais uma enxadada no próprio dedão.
Escaramuças no Twitter
As acusações de que Décio havia prejudicado Santa Catarina começaram no sábado. Paulinho Bornhausen (@bornhausen) foi um dos que espalhou o fato pelo Twitter. Décio reagiu de duas maneiras. Primeiro, atacou o colega do DEM citando a expressão “amigos do Arruda e os parentes do biônico da ditadura”.
Depois de chutar o adversário, decidiu se posicionar de forma dura e deu duas declarações incisivas.
- “A despeito do que algumas pessoas estão afirmando, NÃO ASSINEI nenhum documento contrario aos interesses de Santa Catarina”.
- “Quem me conhece sabe que jamais mancharia minha biografia com um ato desta natureza. Aliás, acho estranho que isto esteja acontecendo hoje.”
O caso evoluiu com Marcelo Schrubbe (@marceloschrubbe) publicando em seu Twitter cópia do documento com a assinatura de Décio Lima na linha de número 9 do documento.
De indignado a conformado
Décio terminou o sábado prometendo que esclareceria os fatos durante a semana. Chegou a insinuar que a assinatura era falsa. Fez-se de indignado. Sugeriu a existência de um complô para denegri-lo. Nesta semana, surpreendentemente, disse à imprensa que poderia ter assinado o tal requerimento sem saber o que estava fazendo.
Das duas uma: ou Décio agiu contra Santa Catarina, ou foi irresponsável e incompetente.
Você pode escolher entre as duas opções.
Pessoalmente, fico com a primeira.
Acho que Décio não superou a mágoa de ter sido surrado pelo DEM nas últimas eleições.
- O Samae de Blumenau marcou para sexta de tarde uma coletiva de imprensa.
- Isso se chama manobra diversionista, com enfoque protelatório.
- A intenção é cansar a opinião pública, esticando o fio de um assunto para que ele perca consistência mais adiante.
- A coletiva não foi marcada para de manhã.
- Foi marcada para o final da tarde.
- Coletivas pela manhã são muito concorridas.
- Rádios dão flashes ao vivo.
- TVs e rádios editam para os jornais do meio-dia, de grande audiência.
- Jornais impressos têm tempo de repercutir.
- Marque uma entrevista para uma tarde se sexta-feira e seus problemas se resolvem.
- Rádios e TVs estão desmobilizados. As notícias só sairão à noite.
- Não dá muito tempo para jornais repercutirem, colunistas não tem como articular.
- Os noticiários locais à noite tem pouca repercussão.
- O dia seguinte é um sábado. Nada de jornalismo nas rádios, as audiências caem.
- Sábado é um dia sem repercussões, os políticos estão desmobilizados e a segunda-feira está longe.E então, gostaram da aulinha? Simples:
- Eu quero que a coletiva repercuta: marco pela manhã, entre segunda e quinta-feira, no período entre 9 e 10 horas, pra dar tempo pras TVs, pras rádios darem boletins, pra todo mundo ficar sabendo. A repercussão será maior.
- Eu não quero que a coisa ganhe vulto. Faço como o Samae de Blumenau.
A semana promete ser agitada no Vale do Itajaí, em batalha que começou a ser desenhada no Twitter.
- O deputado Décio Lima (@deciolimapt) teve o nome envolvido em mais uma confusão e promete esclarecimentos a partir de segunda-feira.
- Uma escaramuça entre ele e deputado Paulo Bornhausen (@bornhausen) já começou pelo Twitter.
- @bornhausen tem passado adiante, pelo Twitter, a denúncia de que @deciolimapt teria assinado um requerimento que atrasa e pode inviabilizar a um sorteio da Mega Sena cuja arrecadação seria destinada a obras de reconstrução das cheias de 2008 em Santa Catarina.
- O autor do projeto é o Senador Raimundo Colombo, do DEM de SC e foi aprovado no Senado.
- Um requerimento de um deputado do PT paulista solicita que o assunto seja enviado para a Câmara, onde irá demorar para ser votado e corre o risco de não ser aprovado.
- De acordo como DEM, Décio Lima assinou o requerimento que prejudica SC.
- No Twitter, Décio afirma que a lista com os nomes é falsa e promete esclarecer tudo nesta semana.
- Para a política do Vale do Itajaí, @deciolimapt e @bornhausen representarão a primeira grande escaramuça política.

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