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- Em minha viagem aos Estados Unidos com meu filho Cícero eu fui de carona.
- Como não falo inglês, ele era o chefe da delegação.
- Foi assim na loja Victoria’s Secrets, em Orlando, elegantemente localizada no Shopping Milenia Mall.
- Sei que essas lojas não permitem que sejam tiradas fotos em seu interior.
- Mas quem um dia foi repórter policial se acostuma a atirar antes e perguntar depois.
- Tentei fazer fotos de meu filho levando um lero em inglês com a simpaticíssima gerente que veio nos ajudar a comprar perfumes para minha mulher e minha filha.
- Quando fiz a primeira foto, uma vendedora percebeu e fez sinal para que eu não proseguisse.
- “Souvenir”, disse eu. “No photos”, disse a gerente, atravessando o dedo rente ao pescoço, naquele típico sinal de quem tem a garganta cortada. Meu filho traduziu: ela disse que se os seguranças pegam, dão bronca e levam a máquina.
- A gerente e a vendedora não me deduraram. Guardei a máquina e concluímos as compras.
- Ficou o flagrante, abaixo, de uma foto secreta na Victoria’s Secrets do Shopping Milenia, em Orlando.
- Onde, aliás, você encontra atendentes muito simpáticas, tanto nos departamentos como nos caixas.
P.S.: Não sei o que mais me diverte na foto: se o gesto assustado da vendedora ou a cara do meu filho que, do alto de seus 15 anos, aparenta tentar entender as explicações em inglês sobre usos, propriedades e benefícios da linha de cosméticos tanto para a hidratação e o tratamento da pele, quanto para uma boa maquiagem.
- Cagar é uma arte. Especialmente nos países desenvolvidos, onde o papel higiênico é biodegradável e deve ser jogado diretamente no vaso sanitário.
- No Brasil, onde a rede coletora de esgoto não existe e ainda se usa o papel-lixa, a turma tem que jogar o papel usado no cestinho.
- Por isso a turma que vai dar uma cagadinha nos Estados Unidos fica sem ação ao perceber que não existem lixeiras ao lado dos vasos sanitários.
- As lixeiras que existem ficam perto das pias, apenas para uso diverso.
- Como resultado disso, a brasileirada que viaja aos EUA vive dando vexame na hora de soltar aquele salutar e indispensável barro.
- Numa loja da Best Buy, em Orlando, fotografei um aviso especialmente escrito em português conclamando nossos bravos patrícios a jogar o bendito papel no vaso.
- Fiz uma foto do lugar. Vê-se que o aviso ainda não surte os efeitos desejados, já que o volume de papel jogado no chão ainda é grande.
- Acho que a solução passaria por uma ação mais firme e incisiva do Consulado Americano, que poderia anexar à concessão do visto uma cartilha com Orientações Gerais sobre como Cagar Corretamente nos Estados Unidos.
Aluguei um carro nos EUA. Me deram um Corola azul automático. Nunca tinha dirigido um carro automático. Aprendi na marra, sozinho e na hora.
O problema é o hábito de pisar na embreagem. Você acaba freando o carro.
Evitei isso colocando o sobre o câmbio o chinelão velho e horroroso que meu filho usava, como você vê na belíssima foto abaixo.
Dessa forma, nunca chegava a colocar a mão na marcha.
Se você for um Zé Ruela como eu, que nunca dirigiu um carro automático, posso garantir que a tática funciona perfeitamente.
O setor cultural de Blumenau é a coisa mais divertida da cidade. É formado por um bando de pândegos. Não se salva ninguém. Dos produtores pedantes a artistas chatos e chorões, passando pelas autoridades caricatas. O conjunto da obra lembra os maiores sucessos da comédia pastelão da época dos Três Patetas e do Gordo e o Magro.
O Salão Elke Hering foi um fracasso de público. Mas isso não importa. Público é detalhe. Artista não gosta de povo. Artista quer vender obras e ganhar uns troquinhos do governo para participar de exposições. Povo é pobre e pobre não compra obra. Compra cachaça. Artista gosta de expor para a elite, na esperança de que encontrar o mecenas da sua vida.
Artista não liga se um salão tem público ou não. O que vale é colocar no currículo. Eu, por exemplo, guardo cartazes e exposições de cartuns meus em Joinville e Florianópolis. Não fui a nenhuma delas. Nem sei se alguém foi. Mas rendeu mídia. E o título de artista ninguém me tira.
Os chorões
Eu já atrasei pagamentos. Você já atrasou pagamentos. Outras pessoas já nos pagaram alguma coisa com atraso. Ninguém fez escândalo, ninguém berrou. Os únicos a berrar são os artistas mortos de fome de Blumenau.
Teve um problema qualquer na premiação do salão fantasma que ninguém viu. O atraso não chegou sequer a somar algumas horas. A artistalhada se uniu no primeiro panelaço silencioso da História da Humanidade. Xingaram a Dona Marlene, posaram de coitadinhos, com pungentes expressões sofridas, parecendo cachorro que acaba de levar um chute do dono.
A renúncia de Dona Marlene
A capacidade que a Marleninha Schlindwein tem de atirar no dedão do próprio pé é uma grandeza. Marcou uma reunião com os artistas chorões para explicar o atraso no pagamento dos míseros trocados aos vencedores do salão fantasma Elke Hering. Na hora H, mandou dizer que tinha problemas pessoais e desapareceu.
Logo depois, foi vista num supermercado por um casal de artistas famélicos. A turma caiu de pau nela. Unidos, os artistas montaram o seu 67º blog colaborativo e desceram a lenha na pobrezinha.
Tenho uma sugestão para a Dona Marlene: vingue-se desses artistas todos. Renuncie. Peça um outro posto, algo como zeladora de cemitério ou merendeira de escola. Sua saída do meio cultural será a maior vingança contra os artistas que a criticam. Sem as suas trapalhadas, eles nunca mais terão tanta divulgação na vida.
Fashions
Veneza anda colocando umas camisas bonitas, claras e discretas. Quem se desgarrou agora foi o Zeca Bombeiro, que inventou de usar camisa vermelha de manga comprida, com gravata preta. Parece garçon do Kentucky Fry Chicken.
Jeitão
Vânio Salm e Veneza são dois vereadores se destacam pelo jeito tradicional de atuar. Os dois têm aquele jeito de vereadorzão mesmo, do tipo que passa a maior parte do tempo batalhando pelo bairro.
Gosto de ver as intervenções deles. Quase sempre se fazem acompanhar da TV Câmara e apontam problemas de forma pontual, organizada, sem exageros, sem dramatização ou apelo político. Depois, prestam contas.
Para melhor
Na quinta-feira, Veneza surpreendeu. Fez um belo e bem ponderado discurso sobre o Toque de Acolher do Jovino. Usou frases bem construídas, num texto bem encadeado. Gostei. É sempre encontrar qualidade nas coisas. Nem que seja no discurso do vereadorzão do bairro.
Detalhe: as camisas do Veneza estão mais bonitas. Parece que ele resolveu trocar as peças escuras listradas horrorosas e antiquadas por tons mais claros e neutros, que combinam melhor com a imagem da TV.
Ilha do Medo não é o que parece. Em alguns filmes isso é bom. Nesse caso é ruim. Somos enganados pelo trailer, somos enganados pelas resenhas da imprensa e somos enganados pela promessa de uma boa história que não se concretiza.
Vou contar o fim do filme, portanto, não leia a partir daqui se não quiser saber:
- O cartaz do filme e o trailer passam a impressãode que estamos diante de um filme de suspense noir ao melhor estilo Humphrey Bogart.
- Mas o personagem principal, interpretado pelo Leonardo DiCaprio, não é agente do FBI, como mostram as resenhas.
- Ele é um louco, internado na tal ilha.
- Ele imagina tudo. Imagina que é um agente do governo e que tem um parceiro. Esse parceiro não existe. Na verdade, é um dos psiquiatras da tal ilha.
- Ao longo do filme, que tem duas horas, perde-se muito tempo com os ataques de consciência do DiCaprio.
- No fim descobrimos que a mulher dele era louca e matou os três filhos num dia em que ele a deixou sozinha com as crianças.
- Quando viu a crianças mortas, ele mata a mulher num acesso de raiva.
- Não adianta resenhistas dizerem que a interpretação do Ben Kingsley, o Ghandi, é ótima. Não é.
- Ben Kingsley, aliás, sempre será lembrado como Ghandi mais pela aparência física do que qualquer outra coisa. Nunca fez nada decente depois do Ghandi, filme em que, aliás, não fazia quase nada.
- Foi uma não-interpretação.
- DiCaprio até que se sai bem, mas o filme é uma ensebação só. Quando chega perto do final, qualquer Zé Ruela minimamente alfabetizado como eu, você ou o ex-zagueiro Júnior Baiano é capaz de deduzir que tudo não passa de uma paranóia.
- No final ele continua preso já que, na verdade, estava passando por uma fase de testes para que os psiquiatras pudessem decidir por sua transferência ou não.
- Outra coisa: de medo, a ilha não tem nada, já que toda a organização é de psiquiatras que estudam comportamentos psicóticos de criminosos violentos.
- O único medo é que o cada vez melhor DiCaprio siga em frente com outros projetos furados como este.





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