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Tenho ouvido muita gente dizer que a falecida figueira da prefeitura foi um símbolo de manifestações sindicais em Blumenau. Não é bem assim. A Figueira abrigou apenas greves de funcionários públicos. Os grandes movimentos sindicais ocorreram na escadaria na Catedral. Eu e você sabemos que funcionário público é, por natureza, um sujeito acomodado. E nada mais cômodo do que fazer greve debaixo de uma árvore, bem em frente à prefeitura.

Além da sombra, a figueira trazia aos servidores municipais uma vantagem adicional: a mobilização em local tão próximo levava uma dose extra de pressão para cima do prefeito e vereadores. Mas havia uma desvantagem. O local não recebe grande afluxo de pessoas e fica oculto em meio a dezenas de outras árvores.

Cada vez que desejavam chamar a atenção pública, os servidores promoviam passeatas pela XV. É lá que as coisas acontecem.

As escadarias da agitação

Todos os grandes eventos políticos e sindicais aconteceram nas escadarias da Catedral. As duas categorias profissionais que realizaram as maiores greves – têxteis e bancários – realizavam suas atividades no local.

Estive nas escadarias nas diferentes ocasiões em que elas receberam Leonel Brizola, Lula e FHC. Foi lá que assisti aos comícios do Jaison Barreto  e a campanha das diretas com a Leci Brandão. Ajudei a vender chaveirinhos nas saudosas barraquinhas do PT que eram montadas lá quando o partido era pobre e humilde. Na única greve de jornalistas da cidade, em 1990, era nas escadarias que distribuíamos panfletos.

Um fim melancólico

A figueira se foi, mas não causou comoção. Ela com certeza adoeceu de tristeza, sufocada em sua própria melancolia. Espremida entre o prédio da prefeitura e o fórum, não podia ser vista da Rua XV. Quase nunca era notada. Os turistas não a fotografavam. Nunca foi homenageada nos desfiles da Oktoberfest. Não mereceu sequer uma estampa em camisetas. Nós a ignoramos.

A velha figueira se foi tão discretamente como sempre viveu. Não adianta procurar motivos para transformá-la em símbolo de lutas sindicais e políticas. Sua importância histórica não é maior que a sombra que fazia para as poucas pessoas que a procuravam para se abrigar do sol.

COLUNA FOLHA DE BLUMENAU – EDIÇÃO 254

Me engana que eu gosto

Vim para Blumenau em agosto 1982, pouco antes das eleições daquele ano. Logo da primeira vez que entrei no saguão da prefeitura recém inaugurada, vi uma enorme maquete. Era o projeto do estádio municipal, que a prefeitura iria ajudar a construir. Uma das pessoas que estavam comigo comentou: “Mais um projeto para arrumar voto”.

A eleição daquele ano passou e o tal estádio municipal foi para as cucuias. E agora temos que agüentar essa nova lenga-lenga em torno do mesmo assunto. Quem costumava ganhar holofotes em torno da questão era o Rufinus, que tem um perfil bastante populista. Fiquei surpreso ao constatar o envolvimento do sempre sóbrio João Paulo no projeto.

Talvez o excesso de calor tenha lhe feito mal.

Estacionamento exclusivo

Ainda não conseguimos levantar os R$ 3 milhões para consertar o trevo do Sesi. O projeto do estádio defendido pela Fiesc custará a módica quantia de R$ 70 milhões. Talvez esteja aí a solução: transformamos a cratera em estacionamento subterrâneo.

Protocolo do Carlos

 Irei até a prefeitura com a minha mulher na semana que vem. Levarei um protocolo de intenções para o João Paulo assinar. Quero que ele me ajude a construir uma nova casinha para o meu cachorro. Vai sair bem mais barato que o estádio. Meu cachorro e minha mulher (foto)  podem não ter o peso político do Alcântaro, mas sabem ser convincentes quando querem. Tenho certeza de que, se eu  soltar os dois no gabinete, convenço o prefeito a me apoiar em menos de dois minutos. 

Dona Maria web design

Um antigo slogan da Volkswagen dizia: “O que era bom, ficou ainda melhor”. A prefeitura deveria adaptá-lo ao anunciar a reformulação do seu site, transformando-o em “O que era ruim, ficou ainda pior”.

Minha mãe, a dona Maria Pessatti Tonet, tem 74 anos. Suas vistas cansadas a impedem de continuar atuando como costureira, atividade que exerceu durante toda a vida. Minha mãe nunca usou um computador. Mesmo assim, ela seria capaz de fazer algo melhor do que você encontra em www.blumenau.sc.gov.br.

O site de Rio do Oeste

O site da prefeitura de Blumenau é ruim, mas tem um pior: www.camarablu.sc.gov.br. O Mantau até agora não conseguiu dar um jeito naquilo. O conteúdo é bom, mas a apresentação é uma lástima. Até mesmo o site da prefeitura de Rio do Oeste (www.riodooeste.sc.gov.br) é melhor.

Viva o BBB 10

 

Tem uma coisa bem pior que o Big Brother Brasil: os críticos do BBB, que todos anos despejam centenas de linhas na imprensa criticando o programa. Se detestam tanto o negócio, porque perdem tanto tempo com ele? Não dê bola para essa turma. Se tem gente que gosta de Strauss, Stravinski, Spinoza e Nietzsche, você pode tranquilamente gostar do Diego Alemão e do Kleber Bambam. Eu assisto a Luciana Gimenez e ninguém tem nada a ver com isso.

A vida anda muito séria. Precisamos de alguma futilidade. Divertamo-nos, pois. 

 

COLUNA FOLHA DE BLUMENAU – EDIÇÃO 253

Presente de grego
Ganhamos mais um presente: a invasão da Vila Bromberg durante o Natal. Algumas coisas me incomodam nas reportagens mostradas pela TV. Numa delas, uma mulher gritava que só sairia se lhe dessem uma casa. Em outra, um invasor dizia que não aceitaria sequer que a prefeitura lhe pagasse aluguel por apenas três meses. “Quero saber quem vai pagar meu aluguel depois disso”, protestou.

Assim fica fácil. Invasões desse tipo são um exemplo perigoso. Daqui a pouco vamos ter que carregar um monte de gente nas costas. Espero que a prefeitura resolva logo essa questão. Caso essa turma não seja removida, me juntarei a eles. Também quero casa de graça. Também quero que me paguem aluguel. E só sairei de lá depois que o João Paulo prometer que vai pagar também a ração do meu cachorro. Ele só come Royal Canin semi-seca com umidade de 20%, pedaços tenros de carne e amido quimicamente modificado.

Abutres do pescoço vermelho – Desconfio sempre que vejo invasores “se organizando”. Na Vila Bromberg, eles exibiram cartazes para as TVs. Nunca vi invasor escrever cartaz sozinho. Essas coisas quase sempre escondem a atuação de figuras sinistras na retaguarda. São as hienas da desgraça. Os abutres do pescoço vermelho. Espero que a experiência do Coronel Menestrina com serviços de inteligência consiga lidar com essas eventualidades.

Invasões de terra são sempre estímulo aos oportunistas. Se a autoridade se mostrar frouxa, os abutres do pescoço vermelho aproveitam para movimentar suas massas de manobra.

Invasão africana – Invasão chama invasão. Deve ser por isso que moradores da Velha já estão reclamando da invasão de caramujos africanos. É preciso agir rápido para deter os bichinhos. Ou daqui a pouco a prefeitura será acusada de preconceito racial por sociólogos. E não faltarão ambientalistas para acusar o João Paulo de lesmofobia.

Trocadilho aguado
E
m Blumenau, chover no molhado não é necessariamente uma redundância.

Rádio Carlos AM
Um abração para meu amigo João Krein, que encontrei para um jantar romântico num bar de segunda categoria  na beira da praia. Comida ruim, conversa boa e uma constatação: quando se trata de tomar cerveja, ainda mantemos o mesmo pique revolucionário de 15 anos atrás. Abraços para o Nei Azambuja e para o Álvaro Iahnig, com quem compartilhei um fenomenal Camarão à Imperador na Casa da Lagosta. Um abraço também para o Jauro Soares, da Unimed, que, como eu, mantém o salutar hábito de caminhar na praia mesmo quando está chuviscando.

Twitter.com/carlos_tonet
Trancado no escritório durante as chuvas de final de tarde, comecei a postar no Twitter. Impressionante. Apareceram 63 seguidores em cerca de 12 horas. Eu estou seguindo algumas pessoas. Entre elas o Jovino, o Napoleão e o Pavan.

Perda
Faleceu esta semana o empresário Lenine Antonio Kotlinsk. Ele foi um dos primeiros técnicos a sair do Cetil ainda nos anos 70, dando início ao processo de empreendedorismo que resultou no pólo de informática de Blumenau.

Hibernação
O abandono da cidade entre o final de dezembro e o inicio de janeiro proporciona fenômenos econômicos em diversas áreas. Um catador de papel que fatura em torno de R$ 1.500,00 mensais me disse que tirou férias no período, porque não há nada para recolher nesses dias.

Tudo a ver
Nesses dias de muita água, Veneza passa a ser o vereador mais identificado com Blumenau.

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